A ideia de que todos nós temos um "duplo" exato caminhando por alguma rua em outro continente alimenta a literatura, o cinema e as lendas urbanas há séculos. Chamamos essas pessoas de doppelgänger e, embora possa parecer ficção científica, a realidade é que existe uma sólida explicação biológica para essa ideia.
Isso foi comprovado
Pesquisadores espanhóis renomados, como o geneticista Carles Lalueza-Fox, do Instituto de Biologia Evolutiva, e Manel Esteller, diretor do Instituto de Pesquisa da Leucemia Josep Carreras, demonstraram que esse fenômeno não é mágica, mas sim pura estatística genética.
Para entender esse fenômeno, os pesquisadores analisaram 32 pares de "sósias" que não eram parentes entre si e compararam seu DNA, epigenética e até mesmo seu microbioma.
O que eles descobriram
A equipe não se baseou apenas na percepção visual de que duas pessoas eram muito parecidas, mas também usou algoritmos de reconhecimento facial para medir a objetividade da semelhança. Assim, dos dezesseis pares que os algoritmos classificaram como "extremamente semelhantes", nove deles compartilhavam múltiplas variações genéticas conhecidas como "polimorfismos de nucleotídeo único".
Mas essas semelhanças não estavam distribuídas aleatoriamente; em vez disso, estavam concentradas nos genes responsáveis por moldar a testa, os olhos, o nariz, a boca e o queixo. Em outras palavras, esses dezesseis pares produziram resultados comparáveis aos de gêmeos biológicos reais.
Há uma nuance, porém
Se o DNA deles é tão semelhante, por que não são idênticos em todos os aspectos? O estudo determinou que as sutis diferenças entre esses gêmeos se devem à epigenética, que é essencialmente a forma como o DNA se expressa de acordo com o estilo de vida ou o ambiente em que nos desenvolvemos, e ao seu microbioma, as bactérias que habitam seus corpos.
Um enigma genético
Este estudo não é um caso isolado; a comunidade científica vem mapeando a arquitetura do rosto humano há anos, descobrindo que a combinação de genes que define nosso rosto é finita. Assim, a probabilidade de os dados genéticos caírem na mesma combinação aumenta exponencialmente.
Especialistas
Um dos autores deste estudo, Carles Lalueza-Fox, concedeu recentemente uma entrevista ao El País e destacou que, após analisar os 200 genes mais importantes da estrutura facial e calcular as probabilidades, descobriram que "provavelmente temos mais de um sósia em algum lugar do planeta".
Atualmente, esse fenômeno é um pouco mais conhecido, principalmente porque as redes sociais facilitam a busca por nossos sósias.
Imagem de capa | Anton Malanin
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