As pessoas que sofrem de enxaqueca enfrentam um grande problema com o esporte; mas essa também é a sua grande oportunidade

As enxaquecas variam muito entre diferentes pacientes, e o tratamento também

As pessoas que sofrem de enxaqueca enfrentam um grande problema com o esporte. Mas essa também é a sua grande oportunidade.
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Fabrício Mainenti

Redator

Sofrer de enxaqueca é, sem dúvida, uma situação que pode se tornar incapacitante; por isso, não cessamos nossos esforços para encontrar a melhor maneira de prevenir o surgimento dessas fortes dores de cabeça. Uma das técnicas de prevenção envolve a prática de exercícios físicos, embora sempre tenha existido um grande paradoxo: a longo prazo, o exercício pode prevenir as crises, mas, a curto prazo, pode desencadeá-las.

É um grande problema

Dedicar-se a descobrir formas de prevenir ou reverter as enxaquecas é fundamental, visto que se trata de um problema de saúde de primeira ordem. Para contextualizar, dados do estudo Global Burden of Disease de 2019 apontam a enxaqueca como a segunda maior causa de incapacidade no mundo e a primeira entre mulheres jovens.

Sendo mais específicos, sabemos que as mulheres suportam uma carga da doença 1,6 vez maior do que os homens, com o maior impacto concentrado na faixa etária dos 15 aos 49 anos.

O paradoxo do esporte

Para quem sofre de enxaqueca, praticar exercícios é um grande desafio — não por falta de vontade, mas por uma questão de sobrevivência. Um estudo realizado em 2013 em uma clínica especializada mostrou que 38% dos pacientes já haviam sofrido uma crise desencadeada diretamente pelo exercício, o que levou mais da metade deles a abandonar a prática esportiva.

Isso faz sentido, pois o esforço físico extremo provoca a liberação de um neuropeptídeo chamado CGRP, um conhecido vilão na fisiopatologia da enxaqueca. A isso somam-se outros fatores de risco clássicos associados ao esporte, como aquecimento inadequado, descanso mal planejado ou overtraining (excesso de treinamento). Tudo isso gera um ciclo destrutivo de "sobe e desce" (boom-and-bust) que aterroriza os pacientes.

O outro lado da balança

A boa notícia é que, se a barreira inicial for superada, os benefícios do exercício mudam as regras do jogo, pois, a longo prazo, a atividade física modifica o limiar de disparo do cérebro, tornando mais difícil o desencadeamento de uma crise.

Quanto exercício

Para determinar o limiar exato de exercício, um grupo de pesquisa da Universidade de Valência tentou calculá-lo após analisar 15 estudos com 253 participantes. Eles observaram que os benefícios seguem uma curva em formato de "U".

Os pesquisadores propõem uma recomendação preliminar bastante concreta: 3 sessões de 30 minutos por semana, durante 10 a 11 semanas, com intensidade entre 50% e 70% do VO₂máx. Com essa orientação, o efeito máximo na redução da intensidade da dor ocorre ao atingir cerca de 900 minutos acumulados, e a redução da frequência das crises, por volta dos 950 minutos.

O tratamento

Apesar de eventuais dúvidas, existem ensaios clínicos sólidos que embasam o uso da atividade física como forma de combater a enxaqueca. Um exemplo é um estudo de 2011 que dividiu 91 pacientes em três grupos: um que praticava exercícios por 40 minutos, três vezes por semana; outro que realizava técnicas de relaxamento; e um terceiro que utilizava um medicamento preventivo potente.

Os resultados demonstraram que o exercício reduziu as crises exatamente na mesma proporção que o medicamento, eliminando cerca de uma crise por mês. Embora essa redução pareça modesta, ela demonstra que, embora o exercício não seja necessariamente superior à medicação, constitui uma alternativa real e sólida para quem não tolera os efeitos colaterais dos fármacos.

O tipo importa

Diante da dúvida sobre se é melhor correr ou fazer exercícios de força na academia, as evidências mais recentes indicam que a combinação de treinamento aeróbico e anaeróbico é fundamental. E aqui temos como referência um estudo publicado em 2025, que indica que entre 70 e 135 minutos de exercício por semana, em intensidade moderada, durante 8 a 10 semanas, é a dose ideal.

Imagem de capa | Zoshua Colah

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