Infelizmente, o mundo ainda está bem longe de ser um lugar seguro, especialmente para mulheres, e em ambientes como festas e bares. Casos de bebidas adulteradas para dopar vítimas, uma prática conhecida popularmente como “boa noite, Cinderela”, continuam sendo frequentes. Para resolver esse problema, cinco estudantes de uma escola pública do Ceará desenvolveram um dispositivo simples, barato e portátil capaz de identificar substâncias usadas nesses crimes.
Batizada de Drug Test Pen, a invenção foi criada pelas jovens Maria de Fátima Rodrigues Xavier Soares, Ana Clara Torres do Vale, Ana Letícia Sousa de Oliveira, Bianca Emanuelle da Silva Lino e Mariana Severiano Menezes, e ganhou destaque em eventos científicos estudantis. O projeto foi apresentado no Ceará Científico 2024 e também participou da Mostra Ceará Faz Ciência 2024, onde conquistou reconhecimento entre os trabalhos do ensino médio. Além disso, a caneta foi selecionada para participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) 2025, um dos principais eventos científicos voltados a jovens pesquisadores no Brasil, realizado na Universidade de São Paulo.
Simples caneta consegue revelar se a bebida foi adulterada em poucos segundos
A caneta inventada pelas jovens é discreta, portátil e fácil de usar.
A invenção da caneta detectora de substâncias em bebidas não partiu de qualquer estudante, mas de cinco jovens garotas que decidiram olhar com atenção para a realidade ao seu redor. Conscientes dos riscos que muitas mulheres enfrentam em ambientes festivos, elas perceberam que casos de bebidas adulteradas ainda representam uma ameaça. A partir dessa observação, surgiu a ideia de criar uma solução simples que pudesse ajudar a prevenir esse tipo de crime e oferecer mais segurança em momentos de lazer.
O projeto nasceu na Escola Estadual de Educação Profissional José Maria Falcão, localizada no município de Pacajus, no Ceará. As estudantes pesquisaram quais substâncias são mais utilizadas em casos de dopagem e descobriram que muitos desses crimes envolvem benzodiazepínicos, medicamentos com efeito sedativo e ansiolítico. A partir dessa descoberta, as meninas começaram a testar diferentes reagentes químicos disponíveis no laboratório da escola. O objetivo era encontrar uma substância segura, acessível e capaz de reagir visualmente ao entrar em contato com esses medicamentos. Depois de diversos experimentos, as estudantes chegaram nas canetas, uma solução muito simples, mas altamente eficiente. Mas como a caneta funciona? Veja a seguir como é simples utilizar o dispositivo:
- O usuário traça uma linha com o dispositivo em um papel filtro ou guardanapo e, em seguida, coloca algumas gotas da bebida sobre o local;
- Se pontos escuros aparecerem na superfície, isso indica a possível presença de substâncias dopantes;
- O resultado surge em cerca de 10 segundos, e a caneta pode ser reutilizada várias vezes, o que torna o dispositivo ainda mais prático para uso em ambientes públicos.
Um dispositivo barato que pode ajudar a prevenir crimes
Além da simplicidade de uso, um dos pontos mais impressionantes do projeto é o seu custo. Enquanto dispositivos semelhantes disponíveis no exterior podem custar até cerca de R$300, a versão criada pelas estudantes pode ser produzida por aproximadamente R$10. O formato de caneta também foi escolhido de forma estratégica. Segundo as próprias autoras do projeto, a ideia era criar algo discreto, portátil e fácil de usar em lugares como bares e festas, onde esse tipo de crime costuma ocorrer.
O trabalho surgiu dentro de uma feira científica escolar com o tema “Mulheres e Ciências: Caminhos para a Equidade de Gênero”, promovida pela Secretaria da Educação do Ceará. Desde então, o projeto já passou por etapas do programa científico estadual e conquistou destaque em eventos acadêmicas.
Ver 0 Comentários