A "matéria escura dos alimentos": cientistas revelam que maior parte dos nutrientes ainda são desconhecidos — e podem ser causadores de doenças

Ainda não sabemos tudo sobre o que comemos

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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A maior parte do que existe nos alimentos ainda é um mistério para a ciência. Embora rótulos nutricionais destaquem proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais, pesquisadores acreditam que esses componentes representam apenas uma pequena fração das substâncias presentes na comida. Agora, um novo estudo sugere que milhares de compostos ainda desconhecidos — apelidados de "matéria escura nutricional", podem desempenhar um papel fundamental na saúde, no envelhecimento e até no surgimento de doenças.

Segundo os pesquisadores, desvendar esse universo químico oculto pode transformar a forma como entendemos a alimentação e abrir caminho para dietas muito mais personalizadas.

Não são só calorias e vitaminas

Durante décadas, a ciência da nutrição concentrou seus estudos em cerca de 150 substâncias conhecidas, como proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais.

No entanto, os cientistas estimam que nossa alimentação contenha mais de 26 mil compostos químicos diferentes, a grande maioria ainda pouco estudada ou completamente desconhecida.

Para explicar essa diferença, os pesquisadores fazem uma comparação com a matéria escura do universo. Assim como os astrônomos sabem que ela existe por causa de seus efeitos, mas ainda não conseguem observá-la diretamente, a ciência acredita que milhares de moléculas presentes nos alimentos influenciam nosso organismo, embora seus efeitos ainda sejam um grande mistério.

A chamada "matéria escura nutricional"

Os especialistas usam o termo "matéria escura nutricional" para descrever essas substâncias ainda não catalogadas.

A hipótese é que parte delas possa proteger contra doenças, enquanto outras talvez contribuam para problemas como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer.

Esse conhecimento pode ajudar a explicar uma dúvida antiga da medicina: por que uma mesma dieta funciona muito bem para algumas pessoas, mas produz resultados completamente diferentes em outras.

O intestino também faz parte da equação

Outro ponto importante é que os alimentos continuam sofrendo transformações depois de serem ingeridos.

As bactérias que vivem no intestino convertem diversos compostos em novas moléculas capazes de influenciar processos como inflamação, metabolismo, imunidade e funcionamento das células.

Um exemplo citado pelos pesquisadores é o TMAO, composto produzido pelas bactérias intestinais durante a digestão de carne vermelha e ovos. Altos níveis dessa substância estão associados a um maior risco de doenças cardiovasculares, mas alimentos como o alho contêm compostos capazes de reduzir sua formação.

Outro caso envolve o ácido elágico, presente em frutas e nozes, que é transformado pela microbiota intestinal em urolitinas, moléculas relacionadas à manutenção das mitocôndrias, responsáveis por produzir energia para as células.

Para desvendar esse universo invisível, cientistas trabalham em iniciativas como o Foodome Project, que já catalogou mais de 130 mil moléculas presentes nos alimentos e suas possíveis interações com proteínas humanas, bactérias intestinais e doenças.

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