Frustração com mercado de trabalho faz entusiasmo da Gen Z pela IA cair de 36% para 22%

44% admitem ter sabotado de propósito a implementação da IA nas empresas

Geração Z
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A geração que nasceu e cresceu com a internet no bolso está dando sinais de estar de saco cheio da IA. O entusiasmo inicial que surgiu com a chegada massiva de ferramentas de IA entre os jovens da Geração Z está dando lugar a algo muito menos glamouroso: desconfiança, raiva e, no ambiente de trabalho, uma resistência ativa ao uso de IA que está pegando muitas empresas de surpresa.

Uma pesquisa com 1.572 jovens dessa geração, realizada pela Gallup, pela Walton Family Foundation e pela GSV Ventures, registra uma mudança de atitude entre os membros da Geração Z que contradiz a imagem de uma geração nativa digital entusiasmada com a tecnologia.

Segundo o estudo, a proporção de jovens da Gen Z que se declaram entusiasmados com a IA despencou de 36% em 2025 para 22% em 2026, uma queda de 14 pontos percentuais. Os que se descrevem como otimistas passaram de 27% para 18%, enquanto aqueles que expressam raiva ou irritação em relação à IA cresceram de 22% para 31%. A ansiedade, que já apresentava níveis elevados nos dados de 2025, se manteve estável, passando de 41% para 42%.

O mal-estar dos jovens tem um gatilho muito concreto: o medo da falta de oportunidades no mercado de trabalho. Segundo dados publicados pelo The New York Times, 48% dos jovens da Geração Z consideram que os riscos da IA no mercado de trabalho superam seus benefícios. Apenas 15% enxergam essa tecnologia como algo positivo. Além disso, 80% dos jovens entrevistados acreditam que depender da IA para completar tarefas mais rapidamente representa um obstáculo para o aprendizado de longo prazo, o que revela uma desconfiança que vai além do emprego e afeta a forma como os jovens percebem o próprio desenvolvimento.

Usam a IA, mas a contragosto

Apesar do grande desencanto expresso pelos “genzers”, 51% continuam utilizando IA semanalmente, embora esse percentual tenha crescido apenas quatro pontos em relação a 2025 — um sinal claro de desaceleração na adoção da tecnologia. Zach Hrynowski, pesquisador sênior de educação da Gallup, atribui essa continuidade não ao entusiasmo, mas a uma aceitação pragmática: os jovens usam a IA não porque gostem, mas porque entendem que não podem ignorá-la.

O pesquisador também aponta que os membros mais velhos dessa geração são os que demonstram maior raiva, justamente por estarem entrando em um mercado de trabalho no qual a IA ameaça os postos que eles deveriam ocupar.

Sabotando a IA

O mal-estar da geração Z com a IA não fica apenas nas estatísticas. Um relatório elaborado pela empresa de IA corporativa Writer e pela consultoria Workplace Intelligence, com base em entrevistas com 2.400 trabalhadores nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Europa, revelou que 29% dos funcionários admitem ter sabotado ativamente a estratégia de implementação de IA de suas empresas. Entre os trabalhadores da Geração Z, esse percentual sobe para 44%.

As formas de sabotagem vão desde inserir informações confidenciais em ferramentas públicas de IA, usar aplicativos não autorizados, recusar-se a utilizar as ferramentas de IA impostas ou manipular avaliações de desempenho para fazer a IA parecer menos eficaz. 30% dos que admitem essas condutas dizem agir assim por medo de perder o emprego.

A pesquisa publicada na Harvard Business Review também aponta o porquê de a resistência à IA aumentar entre essa geração: quando a IA frustra necessidades psicológicas básicas, como a sensação de competência, autonomia ou conexões significativas no trabalho, os funcionários não apenas a rejeitam, como passam a vê-la como uma ameaça existencial.

As empresas, por sua vez, não parecem dispostas a esperar: 60% dos executivos entrevistados pela Writer reconhecem que estão considerando dispensar funcionários que se recusem a adotar a IA e 69% têm planos de realizar demissões relacionadas a essa tecnologia nos próximos meses.

Imagem | Pexels (cottonbro studio)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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