Para conter as mudanças climáticas, é essencial "limpar" a eletricidade, ou seja, descarbonizar sua geração para reduzir as emissões globais de dióxido de carbono. O motivo é claro: o setor elétrico é responsável por aproximadamente um terço das emissões mundiais, segundo dados da IEA para 2025.
Este mapa do site Our World in Data mostra, para cada país, qual é a principal fonte de geração de energia elétrica no período de 2024/25. Por trás dessa iniciativa de visualização de dados está a Universidade de Oxford e, para sua elaboração, são utilizados dados do Global Electricity Review da Ember. Em sua base de dados há 215 países, embora, para esta representação, sejam usadas 91 nações, as quais representam 93% da demanda elétrica mundial.
A visualização e compreensão do mapa são simples: uma cor para cada tecnologia dominante — laranja é gás, cinza é carvão, azul é hidrelétrica, roxo é nuclear, amarelo é solar. Além disso, ele mostra o percentual dessa tecnologia dominante para indicar o quanto essa fonte representa do total nacional. Esse ponto é importante porque um país pode aparecer em laranja porque o gás responde por 40% do total, mesmo tendo 35% de renováveis no total. É um mapa do presente, não de como gostaríamos que fosse ou da direção da tendência.
O primeiro dado que chama atenção no mapa é que o carvão continua sendo a maior fonte individual de geração de eletricidade no mundo, posição que mantém há mais de meio século e que, nesta visualização, representa 35% da geração global. Ainda assim, esse é o menor percentual desde a fundação da IEA em 1974. Uma das razões pelas quais o setor elétrico mundial ainda tem tanto peso nas emissões é justamente a liderança do carvão. Outra razão é o gás. De fato, em 2024, os combustíveis fósseis ainda geraram quase 60% da eletricidade mundial.
Em termos gerais, o mapa mostra como o gás é hegemônico em países ricos do hemisfério norte, enquanto o carvão domina na Ásia. Na América do Sul e em partes da África, a hidrelétrica historicamente é o fator que faz a diferença. Já a Europa é um verdadeiro arco-íris, resultado de décadas de estratégias políticas e investimentos.
De fato, o grande avanço verde para a descarbonização da eletricidade passa pelas energias renováveis, que em 2025 superaram o carvão pela primeira vez na história: solar, eólica, hidrelétrica e outras juntas produziram mais de um terço da eletricidade mundial. A boa notícia é que quase todo o aumento da demanda elétrica em 2024 foi atendido por fontes limpas. Mas há uma que se destaca: a energia solar, que em 2024 superou a eólica pela primeira vez em nível global. Dois países que são verdadeiras potências na geração solar são a Espanha, com 22%, e o Chile, com 25%.
O que o mapa não diz
O mapa do Our World in Data tem uma “letra miúda”: embora seja verdade que as renováveis tenham crescido, o carvão e o gás também cresceram. Assim, em 2024, os países asiáticos em desenvolvimento consumiram 80% de todo o carvão usado para geração de eletricidade no mundo, enquanto no ano 2000 essa participação era de 40%.
E há um problema que o mapa deixa de lado: centenas de milhões de pessoas ainda não têm acesso à eletricidade. Mais precisamente, 730 milhões em 2024. Destas, a África concentra 80%. Esses países terão de construir suas redes do zero, e a grande questão será se terão financiamento para fazê-lo com renováveis ou se recorrerão aos combustíveis fósseis tradicionais, mais baratos e de fácil acesso.
Outro dado importante que esse mapa-múndi omite é a origem do combustível. Ou seja, um país marcado em laranja pode depender de um vizinho com o qual mantém uma relação tensa. Não por acaso, em 2021, 45% do gás importado pela UE vinha da Rússia. Quando a guerra entre a Ucrânia e a Rússia estourou, essa dependência encareceu a eletricidade da noite para o dia.
Imagem: Our World In Data
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
Ver 0 Comentários