Ultimamente, as marcas chinesas de automóveis têm travado uma guerra que não é sobre preço, mas sobre sua própria imagem. A Xiaomi iniciou uma batalha legal contra o que considera uma campanha difamatória que supostamente começou no final de 2014, envolvendo centenas de milhares de contas falsas e bots nas redes sociais que espalhavam rumores e manipulavam notícias com o objetivo de prejudicar a imagem pública da empresa.
O governo chinês já iniciou uma investigação, e pode não ser a única. A BYD também tem vários processos por difamação em andamento e entrou com ações legais contra diversos influenciadores, com os primeiros veredictos já emitidos.
Ondas de pedidos de desculpas e canais excluídos
De acordo com o Cars News China, o Departamento Jurídico da BYD anunciou que está tomando medidas legais contra 37 contas de influenciadores e colocou outras 126 "sob vigilância interna" por supostamente espalharem informações falsas que prejudicam a imagem da marca.
A fabricante, que está batendo recordes de vendas em todo o mundo, considera esses ataques "organizados" e "coordenados", e as primeiras condenações definitivas dos difamadores já foram proferidas.
Após os pedidos públicos iniciais de desculpas e multas em torno de € 12 mil (cerca de R$ 70.905), a BYD lançou uma ofensiva contra outros por publicarem alegações falsas sobre explosões de veículos e muito mais. Li Yunfei, Gerente Geral do Departamento de Marca e Relações Públicas da BYD, afirmou que todas as postagens e comentários relevantes estão sendo preservados como prova legal, reafirmando que as ações judiciais continuarão.
A BYD Espanha se referiu às declarações de Yunfei como a posição oficial da marca e não fez nenhum outro comentário ao Motorpasión.
Algum tempo se passou e vimos consequências ainda mais graves para os críticos. A onda de multas começou com nada menos que € 293 mil (cerca de R$ 1,7 milhão) para Long Ge. A partir daí, um efeito dominó catastrófico foi desencadeado para os influenciadores.
Em 4 de junho, o influenciador Qian Zuping, que tinha contas no Douyin e no Bilibili, foi forçado a emitir um pedido público de desculpas por vídeos que postou em 2023 e 2024, após ter todos os seus vídeos apagados e suas contas encerradas.
Ele também pediu clemência, explicando que seu salário mensal de 250 euros (cerca de R$ 1.477) é insuficiente para cobrir as multas aplicadas a outros. Outros casos, como os dos canais Long Zhu-Ji Che e Da Qin Jun Shan Tuan, enfrentam multas que ultrapassam 260 mil euros (cerca de R$ 1,5 milhão) cada.
Para que você tenha uma ideia da situação e dos motivos por trás dela, a China carece de uma imprensa especializada como tal, e a maioria das pessoas se informa por meio de perfis e canais de influenciadores. Presenciamos isso em primeira mão no Salão do Automóvel de Pequim. Isso explica a intensa atenção e pressão a que são submetidos.
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