Embora já estejamos buscando outros planetas no universo (os potencialmente habitáveis são especialmente interessantes), a realidade é que a velha Terra ainda guarda alguns segredos. Por exemplo, o fundo do oceano continua a nos surpreender com novas espécies.
A NASA sabe disso e, por isso, em dezembro de 2022, lançou um satélite ao espaço com uma missão: obter um mapa topográfico das águas superficiais e dos oceanos. Daí o nome SWOT. Somente em seu primeiro ano, conseguiu mapear o fundo do oceano com mais detalhes do que nos 30 anos anteriores, e agora o mapa pode ser consultado na íntegra.
Em resumo, é o mapa gravitacional marinho mais detalhado da história. O que ele "viu" não foi simplesmente o fundo do mar, mas as sutis variações na altura da superfície do oceano. Essas variações revelam a existência de milhares de montanhas, fossas e falhas subaquáticas, invisíveis para satélites convencionais.
Para criar esse mapa, a NASA utilizou a tecnologia de ponta da interferometria de coerência de fase, que permitiu a medição bidimensional altamente precisa da altura do nível do mar. Historicamente, o sonar tem sido usado para medir o fundo do mar, mas conseguimos mapear menos de 30% dele (com o projeto Seabed 2030) usando essa técnica.
Além disso, os satélites convencionais ofereciam uma resolução muito inferior à resolução espacial alcançada, que é de cerca de 8 quilômetros.
Este mapa abrangente do fundo do oceano vai além da mera curiosidade geográfica; o impacto deste mapeamento é evidente em:
- Biodiversidade: os montes submarinos são oásis de vida, e conhecer sua localização é essencial;
- Segurança da navegação: permite a identificação de picos subaquáticos que podem representar um risco para as embarcações;
- Mudanças climáticas: essas estruturas estão diretamente relacionadas às correntes oceânicas, responsáveis pelo transporte de calor. Sem o conhecimento da topografia do fundo do mar, não podemos prever como o oceano irá aquecer.
Um mapa do fundo do mar com detalhes sem precedentes
Com este mapa de gradiente de gravidade vertical, a NASA criou um modelo 3D que permite aos usuários navegar e ampliar todas as profundezas dos mares e oceanos da Terra. A imagem revela colinas abissais individuais que se estendem por 200 a 300 quilômetros, juntamente com outros montes submarinos menores e estruturas tectônicas anteriormente ocultas.
De fato, as colinas abissais são a forma de relevo subaquática mais comum (podem ser vistas, por exemplo, no sul do Oceano Índico). A NASA explica que elas são formadas por falhas normais ao longo dos eixos das dorsais meso-oceânicas. Estudos de reconstrução de placas tectônicas estão sendo conduzidos utilizando essas características.
A visualização também mostra montes submarinos localizados a oeste da América Central, que são, na verdade, vulcões subaquáticos formados por intrusões magmáticas através da crosta oceânica. Sua importância é crucial, visto que modificam a circulação oceânica, influenciam a distribuição de nutrientes e constituem importantes pontos de biodiversidade.
O mapeamento de alta resolução revela cerca de 50 mil montes submarinos anteriormente desconhecidos, com aproximadamente um quilômetro de altura.
A topografia da superfície e do oceano, representada pela SWOT, também apresenta grande clareza ao longo das margens continentais, destacando zonas de alta latitude com estruturas tectônicas soterradas sob sedimentos e gelo.
Isso nos permite observar cânions submarinos que transportam sedimentos da terra para o fundo do mar ao longo da plataforma continental sul-americana, bem como antigas dorsais meso-oceânicas escondidas sob o gelo no Mar de Weddell.
Imagem de capa | NASA
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