Apesar de a maioria das produções sobre a Segunda Guerra Mundial priorizar o combate direto e o heroísmo na linha de frente — fórmulas comercialmente mais atrativas —, o historiador militar norte-americano Robert M. Citino aponta uma obra completamente diferente como a sua favorita: Inferno nº 17 (Stalag 17, 1953), dirigido por Billy Wilder.
Especialista no conflito, Citino admite que raramente se entusiasma com filmes de guerra tradicionais, mas considera o longa de Wilder uma exceção absoluta, a ponto de tê-lo assistido cerca de cinquenta vezes.
A trama de Inferno nº 17
Ambientado em um campo de prisioneiros alemão que abriga centenas de aviadores americanos, a narrativa começa com uma fuga fracassada em virtude de um delator interno. As suspeitas do grupo recaem sobre o sargento J.J. Sefton (interpretado por William Holden), um homem pragmático e cínico que negocia abertamente com os guardas nazistas em troca de regalias dentro do alojamento.
Por que o filme se destaca
Para Citino, o longa preenche uma das maiores lacunas do cinema bélico ao retratar a psicologia do prisioneiro de guerra:
- O foco na derrota e na prisão: O historiador ressalta que os filmes costumam evitar soldados capturados por se tratar de um tema desconfortável — a perda da esperança e o fim forçado do combate —, preferindo sempre os vencedores e a ação contínua.
- Ruptura com o nacionalismo ufanista: A obra abandona os discursos previsíveis sobre dever e pátria em favor de diálogos ácidos, suspense e complexidade moral.
- Um anti-herói realista: O personagem de William Holden (papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator) não luta por ideais abstratos, mas pela própria sobrevivência. Ele é transparente quanto aos seus interesses egoístas e, paradoxalmente, preserva um código de honra próprio dentro daquela realidade hostil.
Matéria traduzida e adaptada de Espinof*
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