Carros com motor a combustão possuem cerca de 2.000 peças móveis, enquanto um modelo elétrico tem em torno de vinte. Essa simplicidade estrutural resulta em manutenções periódicas bem mais simples e baratas — até 54% menores em rotinas comparativas. No entanto, o faturamento das oficinas em reparos de elétricos caiu cerca de 28%, levando concessionárias autorizadas a inflacionar as tarifas de mão de obra para recuperar a margem perdida.
A disparidade nos preços por hora
Em países europeus como a Alemanha e a Espanha, a diferença nas tabelas de preços é expressiva:
- Alemanha: Associações do setor denunciam cobranças de mão de obra até 30% maiores para modelos elétricos em relação aos térmicos — ultrapassando 200 euros por hora em concessionárias e chegando a picos de até 400 euros. A distorção atinge até serviços de funilaria e pintura, idênticos em qualquer motorização.
- Espanha: Dados de entidades automotivas indicam que o preço da hora de trabalho para elétricos subiu 16%, com 80% das autorizadas cobrando mais de 75 euros por hora.
A prática já gera críticas internas. Executivos de concessionárias admitem abertamente que muitos colegas aumentam os valores apenas para cobrir a falta de serviços corriqueiros, como trocas de óleo, velas e correias.
Custos de transição X queda estrutural de demanda
Os estabelecimentos justificam os reajustes apontando os investimentos necessários para atender à nova frota:
- Equipamentos especializados: Ferramentas isoladas, scanners de diagnóstico específicos e kits de segurança de alta tensão (que sozinhos custam entre 5.000 e 6.000 euros por oficina).
- Capacitação técnica: Cursos de qualificação e certificação de mecânicos para lidar com sistemas de alta voltagem.
A longo prazo, relatórios da Comissão Europeia projetam que a expansão dos veículos elétricos causará uma queda de 45% no volume de reparos e uma redução de até 38% na receita total do setor de pós-venda.
Ameaça à economia do consumidor
Embora o veículo elétrico tenha um custo de aquisição mais elevado, seu principal argumento de venda sempre foi a economia acumulada na recarga e no pós-venda. Com a mão de obra mais cara, o custo anual de manutenção já se equipara ao de carros a combustão em várias regiões, gerando receio entre as montadoras de que o aumento das oficinas acabe desincentivando a adesão aos carros elétricos.
Matéria traduzida e adaptada de MotorPasion*
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