Elon Musk tem um problema: precisa de mais eletricidade para a IA, e as turbinas a gás estão esgotadas até 2030

Entre os planos do CEO da SpaceX está o de resolver internamente — e com gás natural — uma das principais limitações que o avanço da inteligência artificial enfrenta: o fornecimento de energia

Elon Musk tem um problema: precisa de mais eletricidade para a IA, e as turbinas a gás estão esgotadas até 2030.
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Fabrício Mainenti

Redator

Ao que parece, a energia solar por si só já não é suficiente: Elon Musk anunciou que a SpaceX começará a fabricar suas próprias peças de turbinas a gás para atender à crescente demanda de energia gerada pelos centros de dados de inteligência artificial.

Trata-se de uma iniciativa que ninguém mais ousou tentar. E atenção: se nenhuma das outras gigantes da tecnologia fez isso, pode haver um motivo.

O que realmente aconteceu?

Como ele mesmo indicou em uma entrevista, o mercado de turbinas — dominado por poucas empresas no mundo — estará saturado até 2030. Assim, em vez de esperar que os fornecedores ampliem sua produção, Elon Musk confirmou recentemente em sua rede social que a empresa aeroespacial SpaceX fabricará internamente as pás e palhetas de turbinas necessárias para a geração de energia a partir de gás natural.

Ele fez isso em resposta a uma reportagem do The Information que apontava a construção de uma instalação em Bastrop, no Texas — onde a empresa já possui um centro da Starlink —, cuja existência não havia sido divulgada até então.

Dessa forma, o magnata parece querer complementar seus ambiciosos planos de energia solar com o gás; afinal, como ele mesmo aponta, a energia solar será insuficiente para suprir a enorme demanda energética que a inteligência artificial exigirá nos próximos anos.

Abalando um oligopólio

Musk quer resolver esse problema por conta própria. Para isso, prevê que a fabricação e a fundição internas desses componentes acelerem a implementação das turbinas em até 18 meses — uma verdadeira revolução em um mercado saturado e dominado por apenas três empresas: GE Vernova, Siemens Energy e Mitsubishi Power dividem a produção mundial desses componentes.

A pressa de Musk em sacudir esse oligopólio tem um motivo claro: o CEO já informou aos investidores que pretende construir 10 GW ou mais de capacidade em centros de dados terrestres até o final de 2027, conforme aponta o portal de investimentos The Motley Fool. Por isso, o tempo urge.

Mas nem tudo o que reluz é ouro

Segundo alguns especialistas, as expectativas do bilionário enfrentarão barreiras de entrada difíceis de superar. O The Wall Street Journal relata que uma das razões para haver tão poucas empresas neste setor é a enorme dificuldade técnica na fabricação de pás capazes de suportar temperaturas extremas (entre 1.649ºC e 1.982ºC, segundo o The Information) e velocidades de rotação extremamente elevadas.

Além disso, o processo de fundição — realizado do zero com um novo molde de cera a cada vez — precisa ser sempre perfeito, pois um defeito superficial pode levar ao descarte automático da peça.

Um impulso aos combustíveis fósseis

A aposta da SpaceX no gás natural para centros de dados de IA somar-se-á aos acordos de colaboração de outras empresas similares, como OpenAI, Amazon e Microsoft, que já utilizam esse tipo de usina elétrica.

Muitos defensores das energias renováveis ​​esperavam que a demora na produção das turbinas a gás sinalizasse uma mudança para outras opções não fósseis e mais ecológicas. Segundo dados da Bloomberg, se as usinas a gás planejadas para esses centros de dados saírem do papel, as emissões de dióxido de carbono dos EUA aumentarão 20%.

Trata-se de uma porcentagem já alarmante por si só, que sequer leva em conta as usinas incluídas nos novos planos de Elon Musk.

Imagem de capa | Sven Piper

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