O novo acordo entre Apple e Google para integrar os modelos Gemini à Siri e ao Apple Intelligence não é apenas mais uma parceria estratégica no setor de inteligência artificial. Segundo estimativas de mercado, trata-se de um contrato de proporções bilionárias — grande o suficiente para chamar a atenção até de Wall Street. De acordo com análise citada pelo Financial Times, o valor do acordo pode chegar a US$ 5 bilhões ao longo do tempo.
A estrutura do contrato, segundo o jornal, é a de um acordo de computação em nuvem, no qual a Apple pagará “vários bilhões de dólares” ao Google para utilizar seus modelos de IA. Gene Munster, analista da Deepwater Asset Management, foi direto ao estimar o impacto financeiro: para ele, o negócio pode render cerca de US$ 5 bilhões à gigante das buscas, reforçando o peso estratégico da parceria para ambas as empresas.
A movimentação inevitavelmente lembra um acordo histórico de duas décadas atrás, quando a Google se tornou o mecanismo de busca padrão nos dispositivos da Apple. Na época, o contrato parecia discreto, mas acabou crescendo a ponto de movimentar cerca de US$ 20 bilhões por ano. A diferença agora é o contexto: a inteligência artificial se tornou o principal campo de batalha das big techs.
A Apple justificou a escolha afirmando que a tecnologia do Google oferece a “base mais capaz” para seus Apple Foundation Models. Ainda assim, a decisão levanta questionamentos sobre o futuro da integração com o ChatGPT, presente no Apple Intelligence desde 2024. Oficialmente, a empresa afirma que o novo acordo não afeta essa parceria, mas Gene Munster discorda. Em entrevista ao Financial Times, ele afirmou que a integração com o ChatGPT “deve morrer na praia”, já que manter dois grandes modelos concorrentes não faria muito sentido do ponto de vista econômico.
Uma fonte próxima à OpenAI reforçou essa leitura ao revelar ao jornal que a empresa optou deliberadamente por não se tornar fornecedora exclusiva de modelos personalizados para a Apple no ano passado. O motivo: foco total no desenvolvimento de um dispositivo próprio de IA, liderado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, contratado pela OpenAI em 2024 — movimento que pode ter esfriado qualquer parceria mais profunda entre as duas empresas.
Mesmo com cifras impressionantes, o acordo com o Google ainda é visto como conservador quando comparado aos investimentos em infraestrutura de IA feitos por rivais. Segundo o Financial Times, Apple mantém seus gastos físicos em torno de 3% da receita. Em 2025, foram US$ 12,7 bilhões, contra quase US$ 90 bilhões previstos pelo Google no mesmo período.
A próxima geração da Siri, impulsionada pelo Gemini, deve estrear com o iOS 26.4, previsto para março ou abril. O valor do cheque assusta, mas revela algo ainda mais claro: a Apple prefere pagar caro agora a apostar tudo em uma infraestrutura própria de IA.
Crédito de imagem: Xataka Brasil
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