Saber em qual "caixinha" econômica uma família se encaixa é uma das dúvidas mais comuns no país. Para sanar essa questão, o estudo "Evolução das Classes Econômicas Brasileiras: 1976 a 2024", realizado pelo economista Marcelo Neri, da FGV Social, trouxe dados atualizados que refletem a realidade do mercado de trabalho e da economia atual.
A metodologia utiliza como base a renda domiciliar total, ajustada pelo tamanho médio das famílias brasileiras e corrigida pela inflação (IPCA). O objetivo é evitar distorções, já que o número de moradores por residência caiu drasticamente nas últimas décadas.
Quanto é preciso ganhar para estar em cada classe?
Os valores abaixo representam a soma de todos os rendimentos do domicílio (salários, aposentadorias, aluguéis, etc.) em valores médios de 2023. Confira as faixas definidas pela FGV Social:
Faixas de renda por classe social (Renda Domiciliar Total)
- Classe A: acima de R$ 14.191
- Classe B: entre R$ 10.885 e R$ 14.191
- Classe C (classe média): entre R$ 2.525 e R$ 10.885
- Classe D: entre R$ 1.580 e R$ 2.525
- Classe E: até R$ 1.580
Resumo da distribuição da população em 2024
- Classe C: 60,9% da população (o maior grupo do país).
- Classes A e B: 17,2% da população.
- Classes D e E: 21,8% da população (o nível mais baixo já registrado).
- Classes ABC (classe média ampliada): 78,1% da população total.
É importante notar que esses valores são referências estatísticas e não consideram o patrimônio acumulado (como imóveis e carros) ou as diferenças no custo de vida entre cidades como São Paulo e cidades do interior.
O retrato do Brasil em 2024: a dominância da classe C
O estudo revela que a maior parte da população brasileira está concentrada na classe C, que hoje abrange cerca de 60,9% dos habitantes. Quando somamos as classes A, B e C (o grupo chamado de "classe média ampliada"), chegamos a 78,1% da população — o nível mais alto da série histórica iniciada em 1976.
- Mobilidade econômica: entre 2022 e 2024, aproximadamente 17,4 milhões de pessoas migraram para as classes ABC.
- Redução da base: as classes D e E somadas atingiram 21,8% da população, o menor patamar já registrado, indicando que mais brasileiros conseguiram elevar sua renda nos últimos anos.
- Fatores de influência: a escolaridade continua sendo o divisor de águas; domicílios chefiados por pessoas com ensino superior têm chances muito maiores de ocupar as classes A e B.
Por que a renda per capita é o ponto de partida?
A FGV Social destaca que olhar apenas para a renda total de uma casa pode ser enganoso. Uma família de cinco pessoas que ganha R$ 3.000 vive uma realidade muito diferente de uma pessoa que mora sozinha e ganha o mesmo valor.
Por isso, a divisão da renda pelo número de moradores (renda per capita) é o critério mais justo para medir o bem-estar e comparar a evolução social ao longo do tempo.
Embora a renda seja o critério mais fácil de mensurar, a posição social de uma pessoa também é moldada pelo acesso a serviços públicos de qualidade, nível de educação e segurança financeira em relação ao futuro.
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