Se você acha que os Alpes Suíços só servem para esquiar, está enganado: eles podem ser a peça-chave da sobrevivência na próxima guerra mundial

Se você acha que os Alpes Suíços só servem para esquiar, está enganado: eles podem ser a peça-chave da sobrevivência na próxima guerra mundial
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Igor Gomes

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Chocolate, os alpes e a sua neutralidade em conflitos envolvendo outras nações são características famosas da Suíça. A paisagem montanhosa é famosa pelas várias estações de esqui de luxo, mas poucos sabem que sob elas existe um segredo militar capaz de proteger mais que toda a população (mais algumas pessoas) em caso de uma Terceira Guerra Mundial. O país, de 9,05 milhões de pessoas, possui cerca de 370 mil abrigos. Tudo por conta de uam guerra em que não foi dado um único disparo entre os principais envolvidos.

Em um bunker perto de você

Os bunkers nos alpes suíços não são os únicos disponíveis para a população. Uma lei de 1963, aprovada por conta do medo de a União Soviética invadir o país durante a Guerra Fria, obriga que todo prédio residencial tenha um abrigo anti-bomba no seu subsolo. Esses representam a maior parte dos bunkers, cerca de 360 mil. Além desses, há cerca de 5 mil abrigos públicos. O maior deles é o de Lucerna, que possui sete andares e pode abrigar até 20 mil pessoas. Quando foi construído, em 1976, ele era considerado o maior do mundo. Atualmente, essa posição é ocupada pelo Oppidium, abrigo de luxo construído na República Tcheca com mais de 30 mil metros quadrados. 

Além da obrigação de construir as estruturas subterrâneas, a lei também obriga que eles sejam próximos. Nas regiões urbanas, os abrigos devem estar a até 30 minutos de distância da residência de qualquer pessoa. Em regiões montanhosas, o limite sobe para uma hora. Nos tempos de paz, essas estruturas são usadas como porões, closets, e até museus. Em entrevista à BBC, o vice-diretor do Departamento Federal de Proteção Civil, Daniel Jordi, afirmou que "A ideia era poder usar o espaço sem modificar sua estrutura. Esperamos que, quando chegar a hora, os cidadãos tenham dois dias para devolver aquela parte do porão ao seu uso original: um bunker”. 

Filtros de ar anti-radiação

Na época da construção da maioria dos abrigos (entre as décadas de 1960 e 1970), já se temia os possíveis efeitos negativos de bombas atômicas. Por isso, a maioria é equipada com filtros que purificam o ar, removendo risco de contaminação por material radioativo e bombas químicas. As paredes possuem dois metros de espessura e podem suportar até 10 toneladas por metro quadrado, e as portas pesam 2000 kg e fecham hermeticamente. 

Aumento de procura e necessidade de atualização

Com o aquecimento dos ânimos na Europa desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, a busca pelos bunkers aumentou e os questionamentos sobre a segurança deles também. De acordo com o site suíço 20 Minuten, empresas como a Mengeu AG, que trabalha com instalação e reformas de abrigos anti nucleares, registraram aumento de pedidos. "As pessoas estão percebendo que têm um abrigo em casa e querem repará-lo para que esteja pronto para uso em caso de emergência", explica Christoph Singer, diretor-geral da empresa. O grande medo da população é que os avanços tecnológicos da guerra nos últimos anos tenha deixado as proteções obsoletas. Mas mesmo com uma possível atualização necessária, os suíços ainda estão mais protegidos do que o restante do continente.

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