Uma detetive especializada em desaparecimento revela as 5 regras que adota com os próprios filhos para evitar o pior na rua

Em um país que registrou 66 desaparecimentos de crianças e adolescentes por dia em 2025, orientações simples podem ajudar famílias a se prepararem para situações de risco

Criança Desaparecida
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Se você é responsável por uma criança, provavelmente já sentiu algum receio sobre o que poderia acontecer em um simples passeio, em um shopping ou em um local movimentado. Embora ninguém queira imaginar uma situação de desaparecimento, os números mostram que esse é um problema que ainda preocupa milhares de famílias brasileiras. Em 2025, o Brasil registrou 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes, uma média de 66 ocorrências por dia, segundo dados enviados pelos estados e pelo Distrito Federal ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Diante disso, uma especialista em casos de desaparecimento compartilhou medidas preventivas que aplica com os próprios filhos para reduzir riscos e aumentar as chances de uma reação rápida em situações de perigo.

Especialista identifica erros comuns que aumentam a vulnerabilidade das crianças

Depois de anos acompanhando centenas de casos de crianças desaparecidas, uma especialista em investigação percebeu que muitos episódios poderiam ter respostas mais rápidas se algumas medidas simples fossem tomadas antes do pior acontecer. A ideia por trás das orientações não é criar um ambiente de medo ou impedir que crianças tenham autonomia, mas ensinar hábitos de segurança que podem fazer diferença em poucos segundos. 

Pequenas atitudes, como manter informações atualizadas e combinar algumas estratégias entre familiares, por exemplo, ajudam a preparar pais e filhos para situações inesperadas. Entre as principais recomendações estão alguns cuidados básicos durante os passeios até formas específicas de ensinar a criança a pedir ajuda quando estiver em risco. Confira as 5 regras:

1) Foto atualizada pode acelerar buscas e evitar que informações importantes fiquem desatualizadas

Uma das primeiras regras destacadas pela especialista é manter sempre uma foto recente da criança. Embora pareça um detalhe simples, essa imagem pode se tornar uma ferramenta importante caso seja necessário iniciar uma busca. Em situações de desaparecimento, familiares e autoridades precisam divulgar informações rapidamente. Uma fotografia antiga, tirada meses ou anos antes, pode dificultar o reconhecimento da criança e atrasar a identificação por parte de quem possa ter visto a vítima. Por isso, é muito importante sempre atualizar as fotos, sendo essa uma das medidas preventivas mais importantes para facilitar a atuação das equipes responsáveis pela localização.

2) Palavra-código criada pela família impede que crianças acompanhem pessoas desconhecidas

Outra estratégia indicada pela especialista é estabelecer uma palavra-código conhecida apenas pela família. A regra é simples: ninguém deve buscar a criança ou convencê-la a ir embora sem informar essa senha. A medida funciona como uma proteção contra abordagens de pessoas que tentam ganhar a confiança da criança alegando ter autorização dos pais, sejam desconhecidos ou até mesmo conhecidos da família. Segundo a orientação, a criança deve aprender que, sem a palavra combinada previamente, ela não deve acompanhar ninguém.

3) Evitar idas sozinhas ao banheiro e conhecer saídas são cuidados importantes em locais públicos

criança perdida Locais com grande circulação de pessoas exigem atenção redobrada e planejamento prévio das famílias

Ambientes movimentados, como shoppings, parques e outros espaços de circulação intensa, exigem atenção redobrada. Uma das recomendações da especialista é evitar que crianças pequenas utilizem banheiros sozinhas, já que esses locais costumam ter menos supervisão e podem representar momentos de maior vulnerabilidade.

Outro hábito indicado é ensinar a criança a identificar as saídas dos lugares frequentados. Caso aconteça uma separação dos responsáveis, a orientação é que ela procure a saída do local e busque ajuda. Você também pode recomendar que a criança procure uma mulher acompanhada de outras crianças, uma vez que esse perfil costuma transmitir maior sensação de segurança para a criança perdida ou assustada.

4) Frase específica de alerta pode ajudar testemunhas a entenderem uma situação de perigo

Uma das dicas que mais chama atenção é substituir pedidos genéricos de socorro por uma frase mais específica: “Essa não é minha mãe” ou “Esse não é meu pai”. A justificativa é que palavras como “socorro” podem ser interpretadas de diferentes formas por quem está ao redor, enquanto uma frase que indica claramente uma situação de possível desaparecimento ou abordagem imprópria tende a despertar uma reação mais imediata das pessoas próximas.

5) Criança desapareceu? Registro deve ser feito imediatamente, sem esperar 24 horas

Apesar da sugestão de que familiares precisam aguardar 24 horas para registrar um desaparecimento, não faça isso. Quando uma criança ou adolescente desaparece, a orientação é procurar uma delegacia e registrar o caso o quanto antes. No momento da denúncia, é importante reunir o máximo de informações possível, como:

  • Nome completo da criança;
  • Idade;
  • Características físicas, como altura, cabelo, olhos e marcas de nascença;
  • Roupas usadas no momento do desaparecimento;
  • Local e horário em que foi vista pela última vez;
  • Fotos recentes.

Após o registro do boletim de ocorrência, os responsáveis também podem buscar apoio por meio de canais especializados, como:

  • Disque 100, para denúncias relacionadas à violação de direitos humanos;
  • Disque 181, canal de denúncias anônimas que pode auxiliar investigações;
  • 190, em situações de emergência imediata.

A divulgação da imagem da criança em redes sociais, grupos de mensagens, imprensa e locais públicos também pode ajudar, mas deve ser feita com orientação da delegacia responsável para evitar riscos adicionais ou prejudicar a investigação. 

Apesar da reação rápida ser importante, é fundamental entender que a prevenção continua sendo uma das principais medidas de segurança. Ensinar crianças a memorizar informações básicas, conversar sobre segurança pessoal, estabelecer limites de confiança e acompanhar ambientes frequentados são atitudes que podem reduzir situações de vulnerabilidade.

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