Um El Niño severo poderia ameaçar alimento essencial para ao menos metade da humanidade — e basicamente todo o Brasil

Nossa produção não deve ser afetada, mas sim o mercado global

Arroz
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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O fenômeno climático El Niño pode trazer consequências muito além de ondas de calor e mudanças no regime de chuvas. Um episódio forte ou muito forte previsto para este ano pode colocar em risco a produção mundial de arroz, alimento básico para mais da metade da população do planeta e presente diariamente na mesa de milhões de brasileiros.

Além das alterações provocadas pelo próprio El Niño, cientistas alertam que as temperaturas mais altas causadas pelas mudanças climáticas podem tornar os impactos ainda mais intensos.

Arroz é um dos alimentos mais importantes do mundo

Mais de 50% da população mundial depende do arroz como parte fundamental da alimentação.

Em países como Bangladesh, Vietnã e Camboja, o cereal fornece mais da metade das calorias consumidas diariamente. Os dois maiores produtores do mundo são Índia e China, responsáveis por mais da metade da produção global.

Embora o Brasil não esteja entre os maiores produtores mundiais, o arroz é um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros, especialmente na tradicional combinação com feijão.

El Niño pode reduzir chuvas em regiões produtoras

Durante um evento de El Niño, os padrões climáticos globais mudam significativamente.

Enquanto algumas regiões recebem mais chuva, outras enfrentam períodos prolongados de seca. Entre as áreas que costumam registrar redução nas precipitações estão:

  • Sudeste Asiático
  • Índia
  • Parte da Austrália
  • Sul da África

Como grande parte da produção mundial de arroz está concentrada justamente na Ásia, uma seca simultânea em vários países pode comprometer a oferta global.

Ao contrário de outros grãos, o arroz exige grandes quantidades de água para atingir alta produtividade. A maior parte das variedades cultivadas atualmente cresce em lavouras alagadas. A água ajuda a controlar ervas daninhas, mantém a temperatura das plantas e favorece o desenvolvimento dos grãos.

Embora existam variedades mais resistentes à seca, elas normalmente produzem menos, motivo pelo qual pesquisadores trabalham para desenvolver cultivares que combinem alta produtividade e maior tolerância à falta de água.

O Brasil não deve ter sua produção muito afetada, no entanto o mercado global pode sofrer e, por consequência, isso poderia pesar no bolso do cidadão brasileiro.

Problema pode afetar preços no mundo inteiro

O mercado internacional de arroz funciona de maneira diferente do trigo ou do milho. A maior parte da produção é consumida dentro do próprio país produtor, e menos de 10% costuma ser exportada.

Isso significa que qualquer redução significativa na produção de grandes exportadores pode provocar aumentos rápidos nos preços mundiais.

Foi exatamente isso que aconteceu em 2023, quando a Índia restringiu suas exportações para proteger o mercado interno, contribuindo para uma forte alta internacional nos preços.

Um El Niño mais intenso pode levar novos países a limitar exportações e incentivar compras por pânico, repetindo um cenário semelhante ao observado durante a crise mundial do arroz entre 2007 e 2008.

Outro fator que preocupa os especialistas é o aumento recente no preço dos fertilizantes. Segundo o estudo, a guerra envolvendo o Irã e os impactos sobre o transporte marítimo no Estreito de Ormuz elevaram significativamente os custos desses insumos em 2026, tornando a produção agrícola ainda mais cara justamente em um ano que pode ser marcado por condições climáticas desfavoráveis.

Cientistas buscam alternativas

Entre as estratégias estudadas estão:

  • Desenvolvimento de variedades mais resistentes à seca
  • Técnicas de irrigação mais eficientes
  • Manejo que reduza o consumo de água sem comprometer a produtividade
  • Investimentos em previsão climática e pesquisa agrícola

Outro fator é que os principais países produtores deveriam manter o comércio internacional aberto durante eventuais crises, evitando restrições às exportações que possam agravar ainda mais a escassez e elevar os preços.


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