No coração de Fujioka, na província de Gunma, uma rotina se repete com precisão há seis décadas. Quando os ponteiros do relógio marcam 11h30, as portas do restaurante Ginkatei se abrem para receber os primeiros clientes do dia. O comando da cozinha não está nas mãos de um jovem chef promissor, mas sim de Fuku Okubo, uma idosa de mais de 100 anos que desafia o conceito tradicional de aposentadoria e mantém uma energia contagiante no preparo de suas refeições.
Nascida em 1923, Grandma Fuku, como é carinhosamente chamada, transformou o pequeno negócio familiar em um ponto de refúgio para os amantes de sabores nostálgicos.
O estabelecimento, localizado a cerca de duas horas e meia de viagem de Tóquio, opera em dois turnos diários e fecha apenas aos domingos. O cardápio aposta na simplicidade reconfortante, destacando o clássico shoyu ramen e o mabo ramen, servidos por valores acessíveis que giram entre 5 e 6 dólares.
Uma vida dedicada à cozinha tradicional japonesa
A trajetória de Fuku Okubo atravessou períodos complexos da história moderna. Tendo vivenciado os cenários anteriores, durante e posteriores à guerra, ela desenvolveu uma filosofia rigorosa sobre o valor dos alimentos e o respeito ao trabalho diário. Essa bagagem cultural se reflete diretamente na dinâmica do Ginkatei, onde cada ingrediente é aproveitado ao máximo e o desperdício é evitado de forma consciente.
Mesmo com as limitações naturais causadas pela idade avançada, a chef mantém o compromisso de estar presente na cozinha e acompanhar o fluxo de clientes que buscam não apenas o alimento, mas também o contato com sua presença icônica.
Para Fuku, a permanência na ativa não representa um fardo, mas uma escolha consciente ligada ao bem-estar e à longevidade. "Não há problema em se divertir todos os dias, esse é meu estado de espírito", afirma a cozinheira, resumindo a mentalidade que impulsiona sua rotina centenária à frente das panelas.
Ver 0 Comentários