Startup criou máquina que produz gasolina usando ar, água e eletricidade: é a aposta para salvar o motor de combustão interna

Máquina é capaz de produzir combustível adicionado diretamente ao tanque do veículo, sem qualquer modificação

Protótipo, baseado no trabalho do físico Klaus Lackner sobre captura direta de ar, gera 3,8 litros por dia

Imagens | Aircela
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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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A Aircela, uma startup de Nova York, apresentou ao mundo uma máquina capaz de produzir gasolina usando apenas ar, água e eletricidade renovável. O dispositivo, que não é exatamente pequeno, já foi demonstrado em funcionamento em diversos eventos públicos e pretende se tornar uma alternativa aos biocombustíveis e uma solução para quem ainda não está pronto para a transição para veículos elétricos.

O que aconteceu?

A empresa apresentou sua tecnologia em 2025. Segundo a Popular Science, seu CEO, Eric Dahlgren, fez questão de deixar claro que não se tratava apenas de um conceito no papel. "Não construímos um protótipo. Construímos uma máquina funcional", afirmou. O objetivo da Aircela, fundada em 2019 por Eric e Mia Dahlgren, é tornar esse combustível utilizável diretamente no tanque de qualquer carro a gasolina, sem modificar o motor.

Como funciona

Segundo seus criadores, o processo é dividido em três fases. Primeiro, um ventilador aspira o ar para dentro da máquina, que passa por uma rede capaz de capturar CO2 e gerar uma solução líquida de carbono. Em seguida, um eletrolisador separa essa solução, produzindo hidrogênio a partir da água. Finalmente, um compressor combina os dois elementos para criar metanol, que é então refinado em gasolina pronta para uso.

O resultado, como a empresa detalhou em diversas demonstrações, é um combustível livre de enxofre, etanol e metais pesados, compatível com os motores atuais sem qualquer modificação.

Original

Entrelinhas

O desempenho atual é, por enquanto, modesto. Cada máquina captura cerca de 10 quilos de CO2 por dia e o utiliza para produzir cerca de 3,8 litros de gasolina, com uma capacidade de armazenamento de até cerca de 65 litros no tanque, de acordo com a publicação. Isso significa que não conseguiríamos encher o tanque de um carro por vários dias. Além disso, como relata a Futurism, o processo consome aproximadamente o dobro da energia que é armazenada no combustível, resultando em uma eficiência inferior a 50%.

Mesmo assim, a Aircela afirma que, utilizando painéis solares independentes, o custo da eletricidade seria inferior a US$ 1,50 por galão (3,8 litros).

A ressalva

Dahlgren insiste que sua tecnologia não compete com os carros elétricos, mas sim os complementa em aplicações onde a substituição do veículo não é viável a curto prazo, como transporte de cargas, automobilismo ou áreas sem infraestrutura elétrica suficiente. De fato, a ABC7 relata que a empresa não pretende fabricar máquinas maiores para produzir mais combustível, mas sim multiplicar o número de unidades, de forma semelhante ao funcionamento de uma usina solar.

Quem está por trás disso?

A Aircela arrecadou aproximadamente US$ 5,5 milhões até o momento, de acordo com a Pitchbook. Seus investidores incluem Chris Larsen, fundador da Ripple; Jeff Ubben, consultor ativista da ExxonMobil; e a Maersk Growth, o fundo de capital de risco da empresa de navegação dinamarquesa A.P. Moller-Maersk. Morten Bo Christiansen, chefe de transição energética da Maersk, explicou em um comunicado divulgado pela Carbon Herald que a empresa investiu devido à abordagem inovadora da startup e espera, com o tempo, se tornar cliente.

A tecnologia também se baseia diretamente no trabalho do físico Klaus Lackner, pioneiro na captura direta de ar e ex-mentor de Dahlgren durante seu doutorado na Universidade Columbia.

E agora?

A implantação comercial ainda não está sendo discutida, mas os usos iniciais dessa máquina seriam voltados para clientes industriais e comerciais, bem como para áreas sem acesso à rede elétrica, de acordo com o Interesting Engineering. A Aircela também negociou com diversas montadoras, incluindo a Jaguar Land Rover, além de uma fabricante americana e uma alemã cujos nomes não foram divulgados, segundo o Observer. O preço de cada unidade pode variar entre US$ 15 mil e US$ 20 mil, conforme relatado pela Futurism, embora a Aircela esteja confiante de que a produção em massa reduzirá o custo ao longo do tempo.

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