Barcelona, uma das cidades mais visitadas e desejadas da Europa, estabeleceu que só vai receber cerca de 16 milhões de turistas por ano. A decisão marca uma mudança histórica na política de turismo da cidade, que tenta conter os impactos do excesso de visitantes sobre a infraestrutura e a qualidade de vida da população. Ou seja, ao invés de continuar estimulando o crescimento do setor turístico, a prefeitura pretende estabilizar o fluxo e recuperar espaços que passaram a ser ocupados quase exclusivamente por visitantes. A decisão faz parte de uma estratégia mais ampla para enfrentar o turismo excessivo e preservar a identidade dos bairros.
Barcelona quer frear o crescimento do turismo antes que ele saia de controle
A Espanha é o segundo país mais visitado do mundo e possui alguns dos destinos turísticos mais famosos. Entre eles está Barcelona, considerada uma das cidades mais desejadas da Europa e responsável por atrair milhões de visitantes todos os anos. Em muitos lugares, esse fluxo representa um importante motor para a economia. Na capital da Espanha, porém, o crescimento acelerado do turismo passou a gerar efeitos que a prefeitura considera insustentáveis.
Por isso, a administração municipal decidiu mudar de estratégia e estabeleceu um limite de cerca de 16 milhões de turistas por ano. A medida busca conter os impactos do turismo de massa, reduzir a pressão sobre a infraestrutura urbana e devolver aos moradores espaços dominados pela atividade turística. A meta é manter o número anual de visitantes próximo dos 15,7 milhões registrados recentemente, sem permitir um novo crescimento. Além disso, a cidade pretende diversificar o perfil dos viajantes, reduzindo a predominância do turismo de lazer e ampliando a participação de visitantes ligados a negócios e atividades culturais.
Para atingir esse objetivo, a limitação também passa pela oferta de hospedagem. A cidade já restringiu a expansão da rede hoteleira e confirmou que deixará de conceder licenças para apartamentos destinados ao aluguel por temporada a partir de 2028. A expectativa é que o fluxo turístico diminua com menos acomodações disponíveis na cidade.
O turismo excessivo virou um problema urbano — e Barcelona não está sozinha nessa
O turismo movimenta a economia, impulsiona o comércio e transforma cidades em destinos desejados no mundo todo. O problema é que, assim como tudo em excesso faz mal, o turismo excessivo também pode ter seu lado negativo. Quando o fluxo de visitantes ultrapassa a capacidade de uma cidade, o efeito pode ser justamente o contrário do desejado: pressão sobre a infraestrutura, aumento do custo de vida e perda da identidade local. É esse fenômeno que Barcelona está tentando conter com a medida.
A decisão faz parte de um movimento maior para enfrentar o chamado overtourism, ou turismo excessivo, um termo usado para definir situações em que um destino recebe mais visitantes do que consegue suportar. Entre os principais impactos estão:
- aumento do preço dos imóveis;
- alta do custo de vida;
- sobrecarga dos serviços públicos;
- crescimento do trânsito;
- transformação de bairros tradicionais em áreas voltadas para turistas;
- Perda de identidade local.
Mas o que será que pode ter favorecido essa realidade em Barcelona? Especialistas no tema acreditam que a popularização das plataformas de aluguel por temporada e o alcance das redes sociais aceleraram essa problemática ao concentrar multidões nos mesmos destinos. Além de controlar a quantidade de turistas na cidade, Barcelona também quer revitalizar áreas históricas para que elas voltem a atender às necessidades dos moradores, reduzindo a dependência de estabelecimentos voltados apenas ao turismo. Também estão previstas regras mais firmes para cruzeiros de curta permanência e o fortalecimento da taxa turística, que deverá financiar serviços como limpeza, transporte, segurança e saneamento utilizados pelos visitantes.
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