Caça KF-21, da Coreia do Sul, deixa de ser projeto e está a um passo de entrar em serviço 

A primeira unidade de produção tem entrega prevista para a Força Aérea em setembro

KAI KF-21 Boramae
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A Coreia do Sul passou um quarto de século tentando transformar uma ambição política em um caça desenvolvido sob sua própria liderança. O que vemos agora é o momento em que esse objetivo começa a se concretizar: o primeiro KF-21 de produção já saiu da fábrica, realizou seu voo inaugural e tem entrega prevista para a Força Aérea em setembro. Isso não significa que toda a frota estará plenamente operacional a partir desse dia, mas sim que o KAI KF-21 Boramae (nome oficial) deixou para trás a fase de protótipos e iniciou sua incorporação ao serviço militar.

A sequência de marcos alcançados nos últimos meses explica essa mudança de etapa. A KAI apresentou a primeira unidade de produção em série em 25 de março e realizou seu primeiro voo em 15 de abril, antes de o programa ser aprovado na avaliação final de aptidão para combate em 7 de maio. Pouco mais de um mês depois, em 15 de junho, o caça recebeu a certificação inicial de tipo, que atesta o cumprimento dos requisitos governamentais de aeronavegabilidade e segurança de voo. O próximo passo será a aceitação formal da aeronave e sua entrega à Força Aérea sul-coreana.

Um longo caminho 

O projeto que daria origem ao KF-21 começou a ganhar forma em março de 2001, quando o então presidente Kim Dae-jung manifestou a ambição de desenvolver um caça avançado nacional. A iniciativa, no entanto, levou anos para superar os estudos de viabilidade e os debates sobre seu custo. O salto industrial ocorreu em dezembro de 2015, quando a agência de aquisições militares DAPA assinou com a KAI o contrato para o desenvolvimento do sistema. A Indonésia entrou como parceira do projeto e assumiu inicialmente cerca de 20% dos custos em troca de acesso à tecnologia, participação industrial e capacidade de produção local.

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Esse acordo começou a se desgastar quando a Indonésia passou a atrasar suas contribuições financeiras. Após várias renegociações, os dois governos concordaram, em junho de 2025, em reduzir a participação indonésia para cerca de 600 bilhões de wons (R$ 2 milhões) — aproximadamente um terço do compromisso original — e também limitar a tecnologia que seria transferida ao país.

A desistência da produção conjunta em território indonésio foi anunciada em abril de 2026 e confirmada pelas autoridades do país em junho. Jacarta continua avaliando a compra de um número menor de aeronaves produzidas na Coreia do Sul, mas ainda não formalizou nenhum pedido.

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Transformar o KF-21 em uma frota operacional exigiu dois grandes investimentos. O primeiro, de cerca de 8,8 trilhões de wons — o equivalente a aproximadamente R$ 30 milhões —, corresponde ao desenvolvimento da aeronave. O segundo, estimado em 7,92 trilhões de wons, cerca de R$ 27 milhões, cobre o plano inicial de aquisição de 40 unidades, seu armamento e outros custos associados até 2028. Esse valor não representa o preço unitário de cada caça, pois também inclui motores, treinamento, peças de reposição, documentação e suporte logístico.

O que a Força Aérea sul-coreana receberá é um caça bimotor de geração 4,5, e não uma aeronave furtiva de quinta geração comparável ao F-35. O KF-21 pode atingir aproximadamente Mach 1,8 e transportar até 7,7 toneladas de armamentos. Além disso, conta com um radar AESA, um sensor infravermelho IRST e sistemas de guerra eletrônica. As primeiras unidades pertencerão ao padrão Block I, uma configuração voltada principalmente para missões de combate ar-ar. Capacidades mais amplas de ataque ao solo e à superfície serão incorporadas nas fases posteriores do programa.

O avanço industrial fica mais evidente quando se observa quem realmente constrói a aeronave. A sul-coreana KAI lidera o projeto, a integração e a montagem do caça, enquanto as também sul-coreanas Hanwha Systems e LIG Nex1 fornecem, respectivamente, o radar AESA, parte da aviônica, os sistemas de guerra eletrônica e o gerenciamento de armamentos.

Já a Hanwha Aerospace realiza a montagem na Coreia do Sul e produz componentes sob licença para os motores F414-400K, da estadunidense GE Aerospace. Desde o primeiro voo do protótipo, em 19 de julho de 2022, os seis aviões de testes completaram cerca de 1.600 voos e aproximadamente 13 mil condições de ensaio, sem registrar acidentes.

A chegada do KF-21 também não significa que a Coreia do Sul deixará de utilizar caças estrangeiros. Seul encomendou outras 20 unidades do F-35A, dos EUA, cuja entrega começará em 2027, e continuará operando uma frota composta por aeronaves de diferentes origens e funções.

A mudança está em outro aspecto: o país agora é capaz de liderar o projeto, a produção, a manutenção e boa parte das futuras modernizações de seu próprio caça. Quando a primeira entrega for concluída, o Boramae não terá eliminado a dependência de fornecedores estrangeiros, mas terá reduzido essa dependência de forma significativa.

Imagens | Governo da Coreia / Ministério da Defesa

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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