Para algumas pessoas, o abraço é sinônimo de carinho, afeto e proximidade. Para outras, o contato físico pode provocar desconforto e até vontade de se afastar, mesmo quando vem de alguém próximo. A psicologia aponta que esse comportamento pode estar relacionado a diferentes experiências ao longo da vida, incluindo a forma como o afeto foi demonstrado durante a infância, características individuais e inseguranças. Isso não significa, porém, que toda pessoa que evita abraços tenha algum problema emocional: a relação com o toque físico varia de indivíduo para indivíduo.
A falta de contato físico na infância pode influenciar a relação com o afeto
A maneira como aprendemos a demonstrar e receber carinho quando somos crianças influencia muito no entendimento do que é um abraço. Durante a infância, o contato físico, a proximidade e outras formas de demonstração de afeto ajudam a construir referências sobre intimidade e relacionamento. Um estudo publicado na revista Comprehensive Psychology relaciona a rejeição ao contato físico com experiências familiares marcadas por pais mais frios ou emocionalmente ausentes. A ideia é que crianças que crescem em ambientes nos quais o carinho físico aparece pouco podem simplesmente se acostumar com esse padrão.
Com o passar dos anos, aquilo que inicialmente era apenas uma característica do ambiente familiar pode se transformar em uma maneira habitual de se relacionar. A pessoa pode crescer entendendo que demonstrar afeto por meio do toque não é algo necessário ou confortável.
O cérebro também aprende a lidar com o toque e a proximidade
A relação com o contato físico não é construída apenas pelas experiências sociais. O desenvolvimento durante a infância e a adolescência também participa da maneira como o organismo responde à proximidade e ao toque. A falta de contato físico durante períodos importantes do desenvolvimento pode influenciar mecanismos ligados à formação de vínculos. Entre eles está a produção de substâncias como a ocitocina, frequentemente associada à formação de laços sociais, além do desenvolvimento do nervo vago, que participa de diferentes funções do sistema nervoso.
Isso ajuda a explicar por que a relação com abraços não precisa ser encarada simplesmente como uma questão de “gostar” ou “não gostar” de contato. O cérebro constrói, ao longo da vida, diferentes associações com proximidade, intimidade e segurança.
Inseguranças e ansiedade também podem transformar o abraço em desconforto
Existe ainda outro componente que pode aparecer nessa relação: a forma como a própria pessoa se sente diante do contato físico. Para alguém com baixa autoestima ou inseguranças relacionadas ao próprio corpo, um abraço pode deixar de ser uma demonstração de carinho e passar a representar uma situação de exposição.
Nesses casos, a proximidade física pode aumentar a sensação de vulnerabilidade. O medo de ser julgado, a ansiedade social ou o desconforto com o próprio corpo podem fazer com que a pessoa prefira manter uma distância maior. É por isso que não existe uma única explicação para quem evita abraços. Experiências familiares, desenvolvimento, personalidade, autoestima e contexto social podem participar dessa relação com o toque.
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