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Parece absurdo, mas não é: Taiwan está protegendo seus canhões antiaéreos com redes de pesca

A ameaça dos drones remodelou como se faz guerra nos tempos modernos

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Em 1940, durante a Batalha da Inglaterra, a RAF chegou a proteger aeródromos e fábricas com milhares de postes e quilômetros de cabos para dificultar os voos rasantes dos aviões alemães. Oito décadas depois, os exércitos voltam a recorrer a barreiras físicas para conter ameaças aéreas, embora o inimigo já não voe a centenas de quilômetros por hora, caiba em uma mochila e custe apenas algumas centenas de euros.

Dois canhões antiaéreos cobertos por uma espécie de cúpula metálica envolta em redes de pesca não parecem exatamente representar o que há de mais moderno em tecnologia militar. No entanto, essa imagem resume melhor do que qualquer relatório como a guerra moderna mudou.

Taiwan começou a proteger parte de seus sistemas Skyguard com redes antidrone porque aceitou uma realidade incômoda: até mesmo armas projetadas para derrubar ameaças aéreas podem se tornar vítimas de drones baratos se permanecerem expostas.

O problema é pequeno

Durante décadas, os sistemas antiaéreos foram concebidos para enfrentar aviões, helicópteros ou mísseis. Hoje, precisam lidar com um inimigo completamente diferente: pequenos drones FPV capazes de mergulhar diretamente sobre um radar ou um canhão seguindo uma trajetória quase vertical.

Em um conflito hipotético, Pequim não utilizaria drones apenas para atacar, mas também para localizar alvos, retransmitir comunicações, realizar guerra eletrônica e saturar as defesas de Taiwan, obrigando-as a gastar munição antes que a principal ameaça chegasse.

O sistema suíço Skyguard nasceu em plena Guerra Fria, mas continua sendo uma peça fundamental da defesa aérea de Taiwan. Seus canhões de 35 mm podem utilizar a munição programável AHEAD, que explode diante do alvo, liberando uma nuvem de subprojéteis especialmente eficaz contra drones, mísseis de cruzeiro e projéteis de pequeno porte.

Justamente por continuar sendo tão útil, protegê-lo tornou-se uma prioridade: perder a arma encarregada de derrubar drones por causa de outro drone seria um golpe difícil de aceitar.

À primeira vista, usar redes pode parecer um improviso, mas é uma medida que tem sua lógica. Um drone FPV precisa atingir diretamente seu alvo para destruí-lo; uma estrutura metálica coberta por uma rede pode fazer com que ele detone antes de alcançar o radar ou os mecanismos do canhão, absorvendo parte do impacto e mantendo o sistema operacional.

Essa é uma estratégia que já foi vista na Ucrânia, onde estradas, veículos blindados, peças de artilharia e até embarcações passaram a ser cobertos com gaiolas e redes para sobreviver a uma ameaça extremamente barata.

Anos de preparação

As redes são apenas uma parte de um plano muito mais amplo. A Força Aérea de Taiwan vem treinando há algum tempo para dispersar seus aviões entre aeródromos secundários e rodovias, enquanto o Exército esconde tanques e veículos entre edifícios ou os disfarça como máquinas civis para dificultar sua identificação.

A ideia é simples: se a China conseguir localizar e destruir os sistemas mais valiosos nas primeiras horas de um ataque, a capacidade de resistência da ilha será drasticamente reduzida.

Ainda assim, talvez a principal lição não seja o fato de Taiwan ter colocado redes sobre alguns canhões, mas sim que a defesa aérea está entrando em uma nova fase. Durante décadas, a vantagem tecnológica consistiu em desenvolver radares mais potentes, mísseis mais rápidos ou canhões mais precisos.

Agora, ela também passa por impedir que um drone de baixo custo encontre um ponto vulnerável onde possa colidir. O fato de uma das imagens mais emblemáticas dessa nova corrida tecnológica mostrar um sofisticado sistema antiaéreo protegido por uma simples rede diz muito sobre como a guerra está mudando.

Imagem | Youth Daily News

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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