A Ucrânia está cobrindo metade do país com redes para se proteger dos drones russos

As redes estão sendo a primeira linha de defesa na Ucrânia

Redes antidrone
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Os ataques kamikaze com drones Shahed na guerra da Ucrânia (agora também no conflito com o Irã) obrigam o país a redefinir suas estratégias de defesa. Um dos métodos mais simples e eficazes que a Ucrânia encontrou foi instalar redes para que os drones fiquem presos e não consigam atingir seus alvos. A maioria dessas redes é fabricada em Callosa de Segura, em Alicante (Espanha).

IRC é a sigla de Internacional de Redes y Cuerdas, empresa localizada em Callosa de Segura, Alicante. Em uma reportagem do site Levante EMV, a empresa conta que tudo começou com o envio humanitário de um lote excedente para a Ucrânia em 2022, quando o conflito teve início. O que não esperavam com esse gesto é que as redes acabariam se tornando um material-chave na defesa contra ataques de drones russos.

A empresa foi fundada há mais de 30 anos e se dedicava à fabricação de redes de pesca de cânhamo. Com a chegada de materiais sintéticos muito mais resistentes, diversificou o negócio e hoje produz para setores como o industrial, a construção e também a segurança. A companhia já havia criado redes de proteção para exibições e treinamentos com drones, mas não em um contexto militar, e sim mais recreativo. Quase por acaso, descobriram uma aplicação que, até então, não tinham considerado. Atualmente, são responsáveis por fornecer entre 70% e 80% das redes de defesa que estão sendo instaladas pela Ucrânia.

Como é uma rede antidrones

Em declarações ao Levante EMV, Juan Luis Antón, CEO da IRC, explica que não existe uma rede antidrones padrão; elas são fabricadas de acordo com as necessidades do cliente. Depende muito do tipo de drone que se quer interceptar: seu peso, se é de hélices ou turbina, se carrega explosivos, etc. Além disso, é preciso se adaptar constantemente porque os ataques com drones russos também evoluem em resposta à presença dessas redes: “um drone abre caminho com material incendiário e, poucos segundos depois, outro atinge com carga explosiva”, afirma Antón.

A IRC se apresenta como a principal fornecedora desse tipo de solução. Sua fábrica em Callosa de Segura conta com 30 teares, trançadeiras mecânicas e um forno autoclave onde são aprimoradas as propriedades das redes — tudo operando a plena capacidade para atender à demanda. Em alguns momentos, chegam a trabalhar em turnos de 24 horas quando há muitos pedidos urgentes. Eles têm inclusive um espaço dedicado ao armazenamento do material preparado especificamente para a Ucrânia.

As redes funcionam e, por isso, a Ucrânia as está implantando por todo o seu território, protegendo infraestrutura como hospitais, bases militares e, sobretudo, estradas. O ministro da Defesa ucraniano afirmou recentemente que o plano para 2026 é cobrir 4.000 quilômetros de rodovias com redes antidrones — não é pouca coisa. E a implantação está cada vez mais rápida: em janeiro, instalavam 5 km por dia; agora já conseguem chegar a 12 km, com a meta de atingir 20 km diários. 

Segundo a agência ucraniana Army Inform, as malhas impedem que o drone as atravesse, mas também dificultam a precisão no caso de lançamento de munições. Além disso, fazem com que os drones fiquem presos e, como não atingem o alvo, podem ser recuperados pelo exército para reaproveitar componentes ou estudar sua tecnologia. Trata-se ainda de um sistema muito simples, que não exige grande manutenção.

Imagem | Army Inform

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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