Por que jovens saudáveis e não fumantes estão desenvolvendo câncer no pulmão? Resposta pode estar na alimentação

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Quando pensamos em câncer de pulmão, o cigarro costuma ser o primeiro fator de risco que vem à mente. No entanto, médicos têm observado um fenômeno intrigante: cresce o número de casos da doença entre pessoas jovens que nunca fumaram, especialmente mulheres. Agora, um estudo apresentado na reunião anual da Associação Americana para Pesquisa do Câncer (AACR) levanta uma hipótese inesperada para explicar parte desse aumento.

Pesquisadores do USC Norris Comprehensive Cancer Center, da Universidade do Sul da Califórnia, analisaram 187 pessoas diagnosticadas com câncer de pulmão antes dos 50 anos. A maioria nunca havia fumado e apresentava um tipo de câncer diferente daquele normalmente associado ao tabagismo.

Pesticidas podem ser a causa

O resultado chamou a atenção: esses pacientes, em média, tinham uma alimentação considerada mais saudável do que a da população americana em geral. Eles consumiam mais frutas, verduras, legumes e grãos integrais, alcançando uma pontuação média de 65 no Healthy Eating Index, acima da média nacional de 57.

Mas isso não significa que alimentos saudáveis aumentem o risco de câncer.

A hipótese é justamente o contrário: o problema pode estar nos resíduos de pesticidas presentes em parte desses alimentos quando cultivados de forma convencional. Frutas, vegetais e grãos tendem a apresentar níveis maiores desses resíduos do que outros grupos alimentares, o que levou os cientistas a investigar uma possível relação entre a exposição prolongada a pesticidas e o desenvolvimento da doença.

A ideia não surgiu do nada. Estudos anteriores já haviam mostrado que trabalhadores rurais expostos a pesticidas por muitos anos apresentam taxas mais elevadas de câncer de pulmão. Agora, a equipe quer descobrir se uma exposição menor, porém contínua, também pode desempenhar algum papel em pessoas que nunca fumaram.

Ainda assim, os próprios autores fazem questão de destacar que os resultados são preliminares. O estudo não mediu diretamente a quantidade de pesticidas presente no organismo dos participantes. Em vez disso, estimou a exposição com base em dados já existentes sobre resíduos encontrados em diferentes categorias de alimentos.

A próxima etapa da pesquisa será justamente analisar amostras de sangue e urina dos pacientes para verificar se determinados pesticidas estão realmente associados ao aumento do risco da doença.

Os pesquisadores também ressaltam que ninguém deve deixar de consumir frutas, verduras ou legumes por causa desses resultados. Há décadas de evidências mostrando que esses alimentos reduzem o risco de diversas doenças, incluindo vários tipos de câncer.

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