O papel de parede servia para decorar; agora, pesquisadores inventaram um que gera eletricidade com a umidade do ar

  • Conseguiram alimentar um teclado sem fio com a energia da tomada;

  • O objetivo é fornecer energia a pequenos dispositivos da casa conectada sem depender de pilhas

O papel de parede servia para decorar; agora, pesquisadores inventaram um que gera eletricidade com a umidade do ar
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Fabrício Mainenti

Redator

O papel de parede é uma das melhores formas de decorar ambientes com desenhos e padrões mais elaborados. Agora, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Binghamton inventou um papel para revestir paredes cujo objetivo não é decorativo, mas sim funcional. Trata-se de um papel capaz de gerar eletricidade a partir da umidade presente no ambiente.

Energia na parede

O trabalho, liderado por Seokheun Choi e publicado na revista Advanced Energy Materials, baseia-se em pequenos geradores elétricos que aproveitam a umidade ambiental, conhecidos pela sigla em inglês MEG. Não é uma invenção inédita, mas é a primeira vez que são apresentados neste formato. Além disso, sua função é dupla: gera energia e, ao mesmo tempo, regula a umidade do ambiente.

Como funciona

O papel atua como uma espécie de esponja elétrica e é composto por diversos módulos. Cada um desses módulos consiste em um quadrado de papel de 2 x 2 cm, contendo glicerol nas bordas — uma substância que captura a umidade do ar. Em seguida, uma estrutura polimérica de polivinilpirrolidona transporta a água em direção ao centro por meio de pequenos poros, funcionando como um pavio. 

Nesse ponto, uma área tratada com cera repele a água em estado líquido, mas permite a passagem de vapor através de poros ainda menores, fazendo com que a água acabe evaporando.

Esse processo mantém o gradiente de umidade necessário para a geração contínua de eletricidade. Os pesquisadores ocultaram as conexões elétricas na parte de trás, permitindo que os módulos sejam conectados entre si sem deixar uma confusão de fios à mostra.

Imagem: Universidade de Binghamton Imagem: Universidade de Binghamton

O teste do teclado sem fio

A invenção está muito longe de poder competir com a rede elétrica ou a energia solar, já que produz pouquíssima energia, mas pode ser útil para alimentar dispositivos que não exigem um consumo muito elevado. Os pesquisadores testaram o protótipo com um teclado sem fio, para o qual precisaram de uma matriz de 1.596 geradores MEG.

Também conseguiram fornecer energia a um sensor de umidade durante 15 minutos, utilizando uma matriz de 35 módulos. Durante os testes, observaram ainda que a umidade do ambiente caiu de 38% para 32%.

Energia para a casa conectada

As paredes são superfícies passivas que, com esta invenção, podem se tornar uma fonte de energia para pequenos dispositivos, como sensores de temperatura, umidade, qualidade do ar ou fumaça.

Por exemplo, poderíamos instalar um termostato diretamente na parede, sem precisar conectá-lo à rede elétrica nem se preocupar com a troca de pilhas. Por outro lado, dispositivos que demandam mais energia — como lâmpadas ou câmeras de segurança — ficariam de fora.

Ainda não está pronto para as paredes de uma residência

Além de produzir uma quantidade muito pequena de energia, existem outras limitações, como a fabricação em larga escala e a necessidade de verificar como a tecnologia se comporta fora do laboratório.

Ainda estamos tratando de um protótipo funcional, e há um longo caminho a percorrer até chegar a um produto comercial; contudo, trata-se, sem dúvida, de uma demonstração muito interessante, que abre portas para que os materiais de uma casa assumam novas funções.

Imagem de capa | Unsplash, editada com Magnific

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha

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