Pesquisadores da Austrália desenvolvem baratas cibernéticas: elas são capazes de injetar medicamentos nas vítimas presas sob os escombros

Os "Paraborgs" são controlados por um controle de videogame e carregam câmeras ou seringas nas costas

Pesquisadores transformaram baratas em pequenos socorristas cibernéticos.
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Fabrício Mainenti

Redator

Imagine que um terremoto o deixe preso sob os escombros e, de repente, você veja uma barata gigante se aproximando com uma agulha nas costas. A cena parece saída de um pesadelo, mas pode vir a ser uma das ferramentas de resgate do futuro.

Pesquisadores da Universidade de Queensland e da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, transformaram baratas em pequenos socorristas cibernéticos. Eles foram batizados de "Paraborgs", e seu objetivo é alcançar vítimas às quais as equipes de resgate não conseguem chegar. O trabalho foi publicado na revista Advanced Science.

Como funcionam os "Paraborgs"

Os cientistas escolheram a barata-escavadora-gigante, uma espécie australiana que pesa cerca de 40 gramas e consegue carregar mais da metade do seu próprio peso. Em cada inseto, foi acoplada uma "mochila" eletrônica com eletrodos nas antenas e na parte posterior do corpo. Usando um controle de videogame, os pesquisadores conseguem guiá-las para a esquerda ou para a direita, fazê-las avançar ou pará-las.

Elas trabalham em equipe: algumas carregam uma câmera para localizar a vítima, enquanto outras levam um injetor com uma mola que dispara uma seringa contendo medicamentos. Em testes de laboratório, as baratas percorreram um circuito de 2,5 metros com sucesso em todas as 25 tentativas e acertaram a injeção em 72% dos casos.

Cortesia de Hirotaka Sato, Nanyang Technological University

Ainda longe dos escombros reais

Por enquanto, os testes foram realizados em alvos de silicone e pele de porco, não em pessoas. "Não estamos sugerindo que seja um dispositivo médico pronto para ser usado hoje em seres humanos", alerta T. Thang Vo-Doan, diretor do laboratório de biorrobótica da Universidade de Queensland. Ainda há desafios a serem superados, como a comunicação no interior de edifícios desabados, a escolha de medicamentos e dosagens, ou a regulamentação.

A equipe também está ciente do susto que a chegada de um desses insetos poderia causar. Para tranquilizar as vítimas, planejam incorporar luzes, identificações de emergência ou até mesmo um pequeno alto-falante que transmita a mensagem: "a ajuda está a caminho".

Imagem de capa | Cortesia de Hirotaka Sato, Nanyang Technological University

Texto traduzido e adaptado do portal Marca

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