Os Jogos Olímpicos de Inverno deixaram a Itália com uma dívida de 7,8 milhões de dólares; não por tê-los sediado, mas por tê-los vencido

A Itália tentou incentivar seus atletas oferecendo bônus lucrativos; deu certo demais para eles

Os Jogos Olímpicos de Inverno deixaram a Itália com uma dívida de 7,8 milhões de dólares. Não por tê-los sediado, mas por tê-los vencido.
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Fabrício Mainenti

Redator

A Itália pode se dar por satisfeita com os Jogos Olímpicos de Inverno, realizados em seu próprio território. O evento foi um sucesso. Muito bom, aliás. Trinta medalhas no total: 10 de ouro, seis de prata e 14 de bronze. Se considerarmos o número total de medalhas, apenas três nações têm um desempenho melhor: a poderosa Noruega (41) e os Estados Unidos (33). O mais curioso é que esse desempenho foi tão expressivo que a Itália agora terá que contrair uma dívida de quase oito milhões de dólares (cerca de R$ 43 milhões).

O sucesso também tem seu preço.

O que aconteceu?

A Itália terá que arcar com uma dívida de 7,8 milhões de dólares pelos Jogos Olímpicos de Inverno que acabou de sediar. Até aqui, nada extraordinário, considerando o substancial investimento feito pelo país para se tornar sede dos Jogos e que grande parte desses fundos foi financiada pelo próprio governo. O curioso é que esses quase oito milhões não têm nada a ver com o status de país anfitrião ou com a infraestrutura necessária para os eventos. A dívida tem outro motivo: os sucessos esportivos alcançados pela Itália.

País

Ouros

pratas

bronzes

total

Noruega

18

12

11

41

EUA

12

12

9

33

itália

10

6

14

30

alemanha

8

10

8

26

japão

5

7

12

24

Dívidas contraídas por causa das vitórias?

Sim. A notícia (e os cálculos por trás dela) foi revelada pela Forbes, que noticiou a peculiar situação enfrentada pela Itália. O Comitê Olímpico Nacional Italiano decidiu incentivar seus atletas, prometendo-lhes bônus substanciais caso subissem ao pódio. Mais precisamente, ofereceu US$ 213 mil (cerca de R$ 1,1 milhão) para o ouro, US$ 106 mil (cerca de R$ 570 mil) para a prata e US$ 71 mil (cerca de R$ 381 mil) para o bronze. O que aconteceu? O incentivo parece ter funcionado e gerou uma dívida multimilionária.

Como país anfitrião, a Itália garantiu a classificação automática, mas seus atletas demonstraram um desempenho mais do que notável: conquistaram 30 medalhas (10 de ouro, seis de prata e 14 de bronze), dez a mais do que em 1994, que havia sido sua melhor participação nos Jogos Olímpicos de Inverno até então.

De fato, apenas a Noruega, com 41 medalhas, e os Estados Unidos, com 33, superam a Itália no ranking mundial. A Itália também está entre os países com melhor desempenho em medalhas de ouro, ocupando o terceiro lugar, empatada com a Holanda.

Isso está acontecendo apenas com a Itália?

Não. Embora seja verdade que o caso italiano é único. Para sua reportagem, a Forbes contatou 37 delegações que confirmaram oferecer incentivos aos atletas que subiram ao pódio. Entre esses grupos, a Itália foi uma das mais generosas. Apenas Singapura, Hong Kong, Polônia e Cazaquistão a superaram, motivando seus atletas com prêmios maiores.

Para efeito de comparação, Singapura "tentou" seus atletas com US$ 787 mil (cerca de R$ 4,2 milhões) por medalhas de ouro em esportes individuais. Hong Kong pagou US$ 768 mil (cerca de R$ 4,1 milhões).

O que aconteceu na Itália?

Nenhuma dessas delegações considerou o incentivo tão eficaz quanto o italiano. De acordo com os cálculos da Forbes, o país anfitrião agora terá que pagar o valor mais alto: US$ 7,8 milhões, significativamente mais do que o segundo colocado, os EUA, com pouco mais de US$ 3 milhões (cerca de R$ 16,1 milhões). A Suíça está em terceiro lugar (US$ 1,5 milhão / R$ 8 milhões) e a Polônia em quarto, com incentivos totalizando US$ 1,24 milhão (cerca de R$ 6,6 milhões).

Em geral, os sistemas de incentivo variam consideravelmente de país para país, não apenas em termos das próprias recompensas. Também podem existir diferenças na forma como esses bônus são financiados (por meio de fundos públicos ou patrocínios), no número máximo de bônus ou se as premiações vão além do pódio, reconhecendo também os atletas que retornam para casa com diplomas olímpicos.

A Itália também decidiu oferecer bônus aos seus para-atletas, o que pode aumentar o valor devido aos seus atletas de maior sucesso, embora não significativamente. Nesse caso, o bônus chega a US$ 118 mil (cerca de R$ 634.651) para quem ganha o ouro, US$ 65 mil (cerca de R$ 349.596) para a prata e US$ 41 mil (cerca de R$ 220.514) para o bronze.

Este é o único dado relevante?

De forma alguma. O valor do bônus é interessante, mas não é o único dado relevante associado aos Jogos Olímpicos de Inverno que acabaram de ser realizados na Itália, com instalações espalhadas por Milão, Cortina d'Ampezzo, Verona, Valtellina e Val di Fiemme.

Outro dado fundamental é o investimento mobilizado pela competição. A S&P estima que o custo total dos Jogos de Inverno ultrapassou facilmente os 5 bilhões de euros. Grande parte dessa despesa (cerca de 63%) foi pública e destinada principalmente a investimentos em infraestruturas.

Outro dado fundamental é o retorno econômico para o país: algumas estimativas apontam para uma geração de cerca de 5,3 bilhões de euros (aproximadamente 33,4 bilhões), em grande parte graças ao aumento do turismo.

Imagens| Eric Salard (Flickr) e Simone Ferraro/CONI

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