O prazer feminino continua sendo um dos assuntos mais estudados pela ciência, mas também um dos mais cercados por dúvidas e mitos. E não é por acaso. Apesar dos avanços da sexologia, as pesquisas continuam mostrando que, durante a relação sexual, homens costumam atingir o orgasmo com muito mais frequência do que mulheres.
Essa diferença, conhecida como "lacuna do orgasmo", foi reforçada por um estudo publicado em 2017 na revista Archives of Sexual Behavior. Foi nesse contexto que uma técnica criada ainda na década de 1980 voltou a ganhar destaque por defender uma solução inesperadamente simples para alcançar o prazer feminino: alterar alguns centímetros na posição sexual mais tradicional para aumentar a estimulação do clitóris.
A ciência explica por que a posição "papai e mamãe" nem sempre favorece o prazer feminino
A diferença nos índices de orgasmo entre homens e mulheres não parece estar relacionada apenas ao desejo, ao tempo de relação ou ao tamanho do pênis. Diversas pesquisas apontam que a explicação passa, principalmente, pela anatomia feminina. Na posição conhecida popularmente como "papai e mamãe", por exemplo, a penetração costuma privilegiar o movimento de vai e vem. O problema é que esse padrão normalmente oferece pouca estimulação direta ao clitóris, a estrutura considerada o principal órgão relacionado ao prazer sexual feminino.
Para tentar resolver essa limitação, o psicoterapeuta americano Edward Eichel apresentou, em 1988, a chamada Técnica de Alinhamento Coital (Coital Alignment Technique - CAT). A proposta mantém praticamente a mesma posição do papai e mamãe tradicional, mas altera o posicionamento do parceiro que está por cima, deslocando o corpo alguns centímetros para frente. Com essa pequena mudança, o movimento deixa de priorizar apenas a penetração e passa a gerar um contato mais constante entre a base do pênis e o clitóris. Ao invés de reproduzir movimentos mais longos, a técnica aposta em um balanço curto, contínuo e com maior fricção entre as pélvis.
Pesquisadores investigam como a posição influencia o prazer feminino
Cada corpo responde de forma diferente: especialistas destacam que não existe uma fórmula única para o prazer sexual
Ao longo dos anos, diferentes pesquisas continuaram avaliando a técnica. Um dos estudos citados pelo especialista em sexualidade Michael Castleman mostrou que mulheres que tinham dificuldade em atingir o orgasmo utilizando a posição papai e mamãe passaram a relatar aumento de cerca de 56% na frequência dos orgasmos após aprenderem a Técnica de Alinhamento Coital. No grupo que realizou apenas exercícios de masturbação orientada, a melhora foi de aproximadamente 27%.
Outros trabalhos também reforçam a hipótese de que pequenas mudanças no ângulo podem favorecer a resposta sexual. Um estudo publicado na revista Sexologies, por exemplo, mediu o fluxo sanguíneo do clitóris em diferentes posições e observou que a posição missionária com um travesseiro sob a pelve apresentou o maior aumento na irrigação local. Mas vale levar em consideração um detalhe: esse estudo envolveu apenas um casal heterossexual e analisou apenas fluxo sanguíneo, não orgasmos. Ou seja, os resultados não podem ser generalizados.
Apesar do aumento na frequência dos grupos, especialistas lembram que o CAT pode não servir para todo mundo da mesma forma. Afinal, a anatomia varia de pessoa para pessoa, assim como preferências, sensibilidade, mobilidade e conforto. Em muitos casos, pequenas adaptações no ângulo, na profundidade da penetração ou a inclusão de estimulação manual ou vibratória podem produzir resultados parecidos.
Além desses ajustes, há um outro fator que não deve ser deixado de lado para uma vida sexual satisfatória: a comunicação. Conversar sobre preferências, ajustar movimentos e estar aberto a experimentar coisas novas pode ser muito mais eficaz do que buscar soluções milagrosas.
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