A última moda para paquerar é parar de tomar banho; a ciência tem más notícias para seus defensores

Homens que deixaram de tomar banho esperam conquistar mais parceiras, mas não há qualquer respaldo científico para isso.

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Bárbara Castro

Redatora

As redes sociais sempre encontram uma maneira inusitada de chamar a atenção, e a última tendência envolve diretamente os hábitos de higiene pessoal e a paquera. Trata-se do chamado "pheromone maxxing": uma ideia bizarra cuja premissa é parar de tomar banho, abandonar o desodorante e deixar que o suor natural atraia pretendentes por meio de supostos feromônios irresistíveis.

Essa onda foi analisada recentemente pela publicação acadêmica The Conversation, que investigou se existe algum respaldo científico na tese de que a falta de banho aumenta os níveis de feromônios e atrai parceiros. E a conclusão é direta: não há nenhuma evidência comprovada sobre o assunto. Trata-se apenas de mais um modismo digital sem fundamento biológico.

O que são feromônios — e por que eles não funcionam em humanos

Quando pensamos no termo feromônio, a referência imediata é o reino animal. Na natureza, um feromônio é simplesmente um sinal químico que dispara uma resposta automática, fixa e previsível em todos os indivíduos da mesma espécie, como ocorre com as mariposas.

Mas será que nós, humanos, também funcionamos assim? A resposta da ciência é não. Sob a perspectiva da fisiologia, o órgão vomeronasal humano — estrutura que em outros animais detecta esses compostos químicos — não é funcional em adultos. Em nossa espécie, ele é apenas um vestígio anatômico sem conexão operacional com o cérebro.

Mesmo quando buscamos compostos parecidos no organismo, como o estratetraenol, os resultados desapontam. Essas substâncias não exercem qualquer impacto comportamental significativo em nós e passam longe das respostas automáticas de atração sexual prometidas pelos gurus da internet.

O mito da camiseta suada dos anos 1990

Se não há embasamento científico sustentando o poder dos feromônios humanos, surge a dúvida: de onde veio essa crença de que o suor atrai outras pessoas? A culpa é de um experimento clássico dos anos 1990, no qual voluntárias foram convidadas a cheirar camisetas usadas por homens durante vários dias seguidos.

Naquele experimento, observou-se que as mulheres demonstravam preferência pelo odor de homens com um MHC (complexo principal de histocompatibilidade) diferente do delas. A teoria sugeria que o corpo buscava um sistema imunológico distinto para garantir uma prole geneticamente mais resistente. Com o tempo, contudo, ficou evidente que esses testes tinham amostras pequenas, metodologias limitadas e apenas mediam uma preferência olfativa abstrata em laboratório, não a escolha de um parceiro na vida real.

O golpe de misericórdia na tese

Para enterrar de vez o mito, vale destacar uma ampla revisão de dados publicada em 2020. Os pesquisadores cruzaram diversas fontes e concluíram que a suposta complementaridade pelo olfato e pelo suor não tem qualquer efeito relevante na atração ou na satisfação de relacionamentos.

Durante décadas, artigos científicos apontaram correlações frágeis e exóticas entre genes e odor corporal, servindo para gerar manchetes rápidas sem que houvesse qualquer consistência prática por trás dos achados.

O sabonete continua sendo o melhor caminho

Ao avaliar toda a literatura médica e biológica disponível, o veredito é inequívoco: deixar de tomar banho não transforma ninguém em um ímã biológico. Não existe nenhuma prova de feromônios sexuais humanos infalíveis capazes de criar conexões mágicas instantâneas. O que a ciência comprova, na verdade, é o oposto: o mau cheiro provocado pelo acúmulo de suor tende a ser bastante repulsivo e afasta pretendentes.

Matéria traduzida de Xataka*

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