Fotógrafo usa processamento de imagens para alterar as fotosda Lua e aplicam cores à superfície lunar para mapeamento, revelando a distribuição exata de minerais e metais, desmentindo o viral da internet de que a Lua seria naturalmente colorida

Imagens coloridas da Lua viralizaram nas redes, mas não foram registradas pela missão Artemis II

Lua Colorida Capa
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Imagens que mostram a Lua com cores vibrantes começaram a circular nas redes sociais durante a missão Artemis II, gerando dúvidas entre usuários sobre a aparência real do satélite natural. 

As publicações, compartilhadas principalmente no X, TikTok e Instagram, afirmavam que os registros teriam sido feitos pelos astronautas durante o sobrevoo lunar.

No entanto, as imagens não são oficiais da NASA e foram compartilhadas fora de contexto. Algumas delas, na verdade, foram captadas da Terra e editadas digitalmente para destacar a presença de minerais na superfície lunar.

Imagens viralizadas não fazem parte da missão Artemis II

As publicações descreviam que as fotos foram registradas pela nave Orion durante o sobrevoo da Lua. As imagens mostram o satélite com tons de azul, rosa, roxo e laranja, além de detalhes em alta definição.

Lua Colorida Imagem da Lua colorida circulou na internet. Foto:Reprodução/X

Apesar do apelo visual, nenhuma dessas imagens aparece nos registros oficiais divulgados pela NASA. A agência informou que todo o material da missão é publicado apenas em seus canais institucionais.

Fotos foram feitas da Terra por astrofotógrafo independente

Parte das imagens que viralizaram foi produzida pelo astrofotógrafo ucraniano Ildar Ibatullin, que confirmou a autoria dos registros.

Segundo ele, as fotos foram capturadas a partir da Terra com um telescópio GSO 150/750 e uma câmera Canon 550D. O fotógrafo explicou que as imagens não têm relação com a missão Artemis II.

Ibatullin também afirmou que o resultado final envolve a combinação de milhares de fotografias para reduzir ruídos e melhorar a qualidade da imagem, além de um processo de edição para aumentar a saturação e destacar diferenças de cor.

Edição revela composição química da superfície lunar

As cores exibidas nas imagens não representam exatamente o que seria visto a olho nu. Segundo o astrônomo Bruno Morgado, do Observatório do Valongo, a Lua possui variações reais de cor, mas elas são muito sutis.

O processamento digital amplia essas diferenças, criando o que especialistas chamam de "mapa químico visual" da superfície lunar.

De acordo com o pesquisador, as regiões mais azuis indicam maior presença de titânio, enquanto isso, os tons avermelhados estão ligados a óxidos de ferro e as áreas mais claras possuem composição mineral diferente.

Mesmo assim, essas cores não são visíveis a olho nu. Por isso, ao olhar para o céu é normal que a Lua pareça cinza ou levemente amarelada.

Foto de capa: Ibatullin Ildar

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