A BYD mira a América. Por enquanto, sua entrada nos Estados Unidos é quase impossível, mas seu plano de expansão não se limita ao país que tentou construir um muro contra as montadoras chinesas. A empresa também está de olho no Canadá e, mais ao sul, no México. E muito mais ao sul, na Argentina, com um projeto que abrange todo o continente.
100 mil carros
Segundo Stella Li, vice-presidente global da BYD, esse é o volume de carros que o México e a Argentina solicitaram à fábrica brasileira para exportação. De acordo com a mídia chinesa, o volume de pedidos está dividido igualmente, com 50 mil carros para cada país.
O pedido de exportação para a fábrica brasileira demonstra o crescente interesse em ambos os países pelos veículos híbridos plug-in da BYD, e não é o único. Somente no Brasil, a BYD vendeu 113 mil carros no ano passado, tornando-se o país que mais comprou carros da empresa fora da China.
Uma fábrica é fundamental
Desde o verão passado, a BYD produz carros no Brasil com foco claro na América do Sul. Lá, produz o BYD Dolphin Mini e compartilhará instalações com o BYD Song Pro e o BYD King, opções híbridas plug-in.
A fábrica, cuja construção foi marcada por controvérsias após alegações de condições de trabalho análogas à escravidão, tem como meta produzir 150 mil carros por ano, mas possui capacidade para expandir para 600 mil veículos anualmente. O investimento, portanto, é substancial.
Por ora, a produção começou no formato SKD (Semi-Knocked Down), com kits chegando parcialmente montadosContudo, segundo a BYD, o objetivo é que a produção seja totalmente local ao longo do tempo.
Do México à Argentina
A Bloomberg explica que a fábrica será o principal polo industrial da BYD para todo o continente. A empresa iniciou suas operações com uma produção de 150 mil carros por ano e planejava expandir sua capacidade para 300 mil em uma segunda fase. No entanto, em outubro passado, anunciou planos para dobrar esse número e atingir a produção de 600 mil carros por ano.
Os planos de expansão nas Américas são fundamentais para a BYD. A empresa está vendo suas vendas desacelerarem no mercado local. Na China, o governo retirou os subsídios para a compra de veículos de "nova energia" (híbridos plug-in e veículos elétricos), o que impacta diretamente uma empresa como a BYD, que não tem outra alternativa em sua linha de produtos. Além disso, o governo vem tentando há anos estimular o consumo interno, que encolhe sem esses subsídios.
Notícias vindas de fora da China, observa a Bloomberg, têm sido boas para a empresa, cujas ações começaram a se recuperar após uma queda prolongada.
Caso México
De olho em sua expansão, a BYD voltou suas atenções para o México. As montadoras chinesas têm ganhado considerável popularidade no país, a ponto de o governo, em clara demonstração de apoio aos Estados Unidos, ter eliminado uma tarifa de 50% sobre esses carros. Uma estratégia que, até agora, se mostrou malsucedida em seus estágios iniciais, porque essas empresas já exportavam carros em volumes muito altos.
No entanto, a BYD tem sua melhor ferramenta no Brasil para continuar vendendo no México. Ambos os países possuem um tratado especial que permite a movimentação de carros entre eles sem o pagamento de tarifas alfandegárias. A empresa planejava construir uma fábrica no México, que também pretendia usar como porta de entrada para o envio de carros aos Estados Unidos. Com o fechamento da fronteira e as tarifas já impostas aos carros chineses (e as que ainda estão por vir), a BYD acabou abandonando seus planos.
Caso Argentina
Como mencionado, México e Brasil não são os únicos mercados atraentes para a BYD. A Argentina se tornou outra mina de ouro, supostamente demandando a importação de 50 mil carros chineses. O Infobae destaca que esse número equivale a 10% da produção anual de veículos da Argentina.
Até então, o mercado argentino era altamente regulamentado em suas importações, mas se abriu. Isso levou a um aumento de 97% nas importações, tornando ainda mais importante para as empresas chinesas exportar para além de suas fronteiras (o que já ocorre em 90% dos casos). No entanto, eles estão observando uma diminuição na capacidade de importação em países como Peru e Equador, porque os veículos chineses também estão começando a entrar nesses mercados.
Por enquanto, as importações isentas de tarifas para a Argentina são baseadas em cotas. Cotas que, claro, são de 50 mil unidades, exatamente o que a BYD planeja enviar do Brasil para o país.
De olho na Europa
Mas, além disso, a empresa chinesa afirma que não está interessada apenas nas Américas. Ao apresentar todos esses números, a BYD também declarou que está de olho na Europa. Com a integração progressiva entre o Mercosul e a Europa, importar carros para a Europa será mais fácil e econômico.
Resta saber, no entanto, se a BYD considerará que os esforços de homologação necessários para importar carros do Brasil valem a pena. Tarifas são uma coisa, mas requisitos de segurança são outra bem diferente.
Apesar disso, a empresa poderia encontrar uma oportunidade fabricando picapes para as Américas. Esses veículos são muito populares na região, mas têm baixo desempenho na Europa, o que poderia compensar seus custos de exportação e eliminar a necessidade de dedicar linhas de montagem específicas em nosso país a um segmento de veículos marginal.
Imagens | Jimmy Woo, BYD e Nicolás Flor
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