Em várias partes do mundo, jovens relatam cada vez mais dificuldade para encontrar um parceiro. Na Coreia do Sul, essa dificuldade ganhou um peso ainda maior por causa da grave crise de natalidade enfrentada pelo país. Em resposta, templos budistas passaram a organizar retiros com encontros às cegas, reunindo solteiros durante dois dias de atividades voltadas para convivência e criação de vínculos. A iniciativa busca transformar a tradição religiosa em uma ferramenta para aproximar solteiros e estimular a formação de novas famílias em um dos países que mais sofrem com a baixa natalidade.
Retiros em templos budistas transformam encontros às cegas em experiências de convivência
Os relacionamentos entre os jovens sul-coreanos têm se tornado cada vez mais raros. Além da queda no interesse pelo casamento, muitos relatam dificuldades para conhecer novas pessoas fora do ambiente de trabalho ou da universidade, o que reduz as oportunidades de formar casais. Para tentar reverter esse quadro, templos budistas do país começaram a organizar retiros para incentivar a aproximação entre os jovens.
Mas a ideia é muito além de um simples date em templos budistas. Ao invés de alguns minutos de conversa em um restaurante ou cafeteria, os participantes passam cerca de dois dias vivendo juntos dentro de templos, compartilhando atividades que exigem interação, confiança e cooperação. Um dos exemplos é o templo Donghwasa, localizado no monte Palgongsan, onde um retiro de aproximadamente 30 horas reúne jovens selecionados entre milhares de candidatos. O cronograma inclui:
- Caminhadas
- Refeições em dupla
- Apresentações pessoais
- Dinâmicas para quebrar o gelo
- Momentos de conversa que incentivam os participantes a se conhecerem de forma mais natural
Outra iniciativa parecida acontece no templo Naksansa, na costa nordeste da Coreia do Sul. Ali, os casais são formados por sorteio para atividades como caminhadas com um dos participantes vendado, passeios pela floresta, sessões coletivas de chá, aulas de yoga na praia e encontros individuais ao longo do fim de semana. O objetivo é criar situações em que as pessoas possam desenvolver confiança antes mesmo de pensar em um relacionamento amoroso.
O interesse pelo programa cresceu rapidamente. A edição mais recente recebeu 4.225 inscrições para apenas 20 vagas, mostrando que, apesar das mudanças de comportamento, muitos jovens continuam procurando oportunidades para conhecer alguém.
Baixa natalidade leva Coreia do Sul a testar novas formas de incentivar relacionamentos
A preocupação com a queda da natalidade chegou a um ponto em que incentivar novos casais passou a fazer parte das políticas adotadas no país. Além de benefícios financeiros, surgiram iniciativas voltadas diretamente para aproximar jovens solteiros. Esses encontros surgem em meio a um dos maiores desafios demográficos do país.
Ao longo dos últimos anos, a Coreia do Sul viu sua taxa de natalidade despencar, impulsionada por fatores como o alto custo da moradia, insegurança financeira, mudanças nas prioridades profissionais e a redução das oportunidades de conhecer novos parceiros. Além disso, mudanças nos hábitos sociais também têm contribuído para isso: os jovens saem menos, têm menos encontros presenciais e enfrentam dificuldades para construir relacionamentos duradouros.
Diante disso, o governo sul-coreano adotou diferentes medidas para incentivar o relacionamento entre os jovens, incluindo incentivos financeiros para famílias, ampliação da licença-paternidade e programas de apoio à moradia para recém-casados. Paralelamente, governos locais e organizações civis passaram a investir em eventos destinados a aproximar solteiros, como oficinas, encontros temáticos e os retiros realizados em templos budistas.
Embora ainda não exista comprovação de que essas iniciativas sejam responsáveis pela recente melhora dos indicadores, os dados mostram sinais de recuperação. Depois de anos de queda, a taxa de fecundidade voltou a crescer em 2024 e registrou novo aumento em 2025. Paralelamente, pesquisas apontam que mais solteiros passaram a demonstrar interesse em casamento e filhos nos últimos anos, alimentando a expectativa de que mudanças sociais e iniciativas como essas possam contribuir para amenizar a crise demográfica à longo prazo.
Ver 0 Comentários