Quando parecia que o cenário da robótica humanoide era dominado pelos Estados Unidos e pela China, com propostas como o Neo, da startup 1X, ou o Unitree G1 – que chegou a brilhar por um momento no Xataka NordVPN 2025 Awards – a Rússia decidiu entrar na disputa com o AIDOL, apresentado como "o primeiro robô antropomórfico nacional com IA". O problema foi que sua estreia não demonstrou exatamente estabilidade tecnológica: o robô começou a cambalear, perdeu o equilíbrio e acabou caindo de cara no chão diante das câmeras, tudo isso ao som da música "Rocky".
A cena viralizou em questão de horas, ofuscando qualquer mensagem tecnológica que o fabricante pretendesse transmitir. As explicações vieram rapidamente, mas a conversa pública se encheu de paródias e memes. Num contexto em que cada passo na robótica é medido em termos de reputação, a Rússia precisava de uma resposta que demonstrasse mais do que apenas um protótipo fracassado.
Green, a resposta tecnológica da Rússia
Agora, imagens vindas de Moscou mostram um projeto de natureza muito diferente. Green é um robô humanoide com inteligência artificial que, segundo seus criadores, "pode se mover de forma independente e interagir com alvos no espaço real". Todo o desenvolvimento, do projeto mecânico e eletrônico à inteligência artificial baseada no GigaChat, foi realizado pelo Sber, o maior banco do país e um ator cada vez mais visível no ecossistema tecnológico russo.
O humanoide que dançou para Putin
Sua estreia foi bem diferente da de AIDOL: Green foi apresentado na conferência Artificial Intelligence Journey 2025, onde disse algumas palavras e depois, como podemos ver no YouTube, dançou para o presidente russo Vladimir Putin. "Meu nome é Green. Sou o primeiro robô humanoide russo a possuir inteligência artificial incorporada. Isso significa que não sou apenas uma demonstração em uma tela, mas uma personificação física da tecnologia. Fui criado pelos engenheiros da Sber", disse o robô antes de iniciar sua demonstração.
Segundo a Sber, Green incorpora mais de cem motores e um grande número de sensores, permitindo que ele mantenha o equilíbrio mesmo durante movimentos rápidos e coordenados. Desta vez, a apresentação buscou não apenas surpreender, mas também transmitir controle, estabilidade e uma imagem mais madura do compromisso russo com a robótica humanoide.
O que significa a IA incorporada?
A ideia de inteligência artificial incorporada, de acordo com a Sber, vai além da execução de modelos em uma tela. Não se trata apenas de responder ao que um usuário escreve, mas de interpretar o ambiente por meio de sensores, câmeras e microfones, processando essas informações em tempo real e agindo fisicamente. Envolve dotar a tecnologia de percepção, movimento e capacidade de tomar decisões em situações reais. Essa abordagem propõe um modelo em que o hardware é construído em torno da inteligência artificial, e não o contrário.
O que a Rússia busca com robôs humanoides?
Resta saber se os robôs humanoides serão eventualmente integrados ao cotidiano, como Elon Musk e outras figuras do setor preveem. Caso esse cenário se concretize, a Rússia quer garantir que os modelos sejam desenvolvidos dentro de suas fronteiras. Sua estratégia visa construir soberania tecnológica não apenas no hardware dos autômatos, mas também nos modelos de IA que os alimentam e na infraestrutura necessária para treiná-los e operá-los.
Por enquanto, não há informações sobre se o Green se tornará um produto comercial ou quanto custará. Ainda é uma demonstração tecnológica e não um robô projetado para o mercado. Também não é fácil posicionar a Rússia na corrida global por humanoides, pois ainda não há dados claros sobre seu desenvolvimento, autonomia ou possíveis aplicações. O que parece é que, no momento, os Estados Unidos e a China estão ditando o ritmo nesse setor, com projetos mais consolidados e visíveis.
Imagens | Kremlin
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