Achávamos que a "mão biônica" era uma invenção de agora: a descoberta inesperada em um esqueleto medieval que acaba de reescrever a medicina

Descoberta na Alemanha revela prótese de ferro usada há mais de 500 anos e surpreende pesquisadores

Esqueleto com prótese de mão de ferro.
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Uma descoberta arqueológica na Baviera, no sul da Alemanha, surpreendeu pesquisadores ao revelar que próteses sofisticadas já existiam há mais de 500 anos. Durante escavações na cidade de Freising, arqueólogos encontraram um esqueleto medieval com uma mão de ferro no lugar de quatro dedos — uma tecnologia muito mais avançada do que se imaginava para a época.

A descoberta foi anunciada pelo Escritório Estadual da Baviera para Preservação de Monumentos e rapidamente chamou a atenção da comunidade científica internacional.

Descoberta aconteceu durante obras perto de igreja medieval

O achado aconteceu durante obras de infraestrutura próximas à Igreja de St. Georg. Na ocasião, operários instalavam tubulações e acabaram encontrando uma sepultura antiga — levando à intervenção de arqueólogos.

Ao analisar o esqueleto, os especialistas identificaram algo incomum: a ausência de quatro dedos da mão esquerda, substituídos por uma prótese metálica cuidadosamente moldada. Os exames feitos por especialistas do Escritório Estadual da Baviera para Preservação de Monumentos indicaram que o homem tinha entre 30 e 50 anos quando morreu e viveu entre 1450 e 1620.

Protese De Ferro Prótese com mais de 500 anos foi encontrada na região de Baviera, na Alemanha. Foto: Escritório do Estado da Baviera para a Preservação de Monumentos

Prótese de ferro surpreendeu pesquisadores

Ao analisar a descoberta, os pesquisadores constataram que a mão artificial substituía quatro dedos — indicador, médio, anelar e mínimo. O apetrecho médico foi construído com chapas metálicas moldadas individualmente. Além disso, os dedos eram levemente curvados, imitando a posição natural da mão humana.

Apesar de não possuir mecanismos móveis, a prótese apresentava detalhes sofisticados para a época. Pesquisadores também identificaram vestígios de couro e um tecido semelhante a gaze dentro da peça, que funcionava como acolchoamento para evitar ferimentos no paciente

Raiox Radiografia mostra o interior preservado da prótese. Foto: Escritório do Estado da Baviera para a Preservação de Monumentos

Outro detalhe importante pontuado pelos especialistas foi a preservação do polegar. Um fragmento ósseo encontrado dentro da prótese indica que o homem manteve esse dedo — essencial para as tarefas do dia a dia.

Segundo o arqueólogo Walter Irlinger, a descoberta é considerada excepcional, mesmo para especialistas experientes.

Amputação pode ter ocorrido por conflitos militares 

Ainda não se sabe exatamente como o homem perdeu os dedos. No entanto, o contexto histórico da cidade de Freising sugere que ferimentos de guerra podem ter sido a causa

Na época analisada, a região foi palco de diversos conflitos, incluindo a Guerra dos Trinta Anos, que deixou milhares de feridos e aumentou a necessidade de amputações e próteses.

Especialistas acreditam que esse cenário contribuiu para o desenvolvimento de soluções médicas mais avançadas na época.

Próteses como essa eram extremamente raras

Segundo o Escritório Estadual da Baviera para Preservação de Monumentos, existem apenas cerca de 50 próteses semelhantes conhecidas em toda a Europa Central desse período.

Algumas dessas próteses eram simples, como a encontrada em Freising. Outras, porém, apresentavam mecanismos articulados, demonstrando um nível surpreendente de engenharia medieval.


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