Sequelas da Covid 19 ou gripe: pacientes tem mais chance de desenvolver câncer de pulmão após caso grave de infecção

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Casos graves de Covid-19 ou gripe podem deixar efeitos duradouros no organismo — e um deles pode aparecer anos depois. Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Virgínia (UVA) sugere que infecções respiratórias severas podem aumentar o risco de câncer de pulmão no futuro.

A pesquisa indica que infecções virais intensas podem alterar células do sistema imunológico nos pulmões, criando um ambiente inflamatório persistente que facilita o surgimento e o crescimento de tumores meses ou até anos depois. Os resultados foram publicados na revista científica Cell (link no primeiro parágrafo).

Inflamação persistente pode favorecer tumores

Os cientistas analisaram tanto experimentos em camundongos quanto dados de pacientes humanos que haviam sido hospitalizados com Covid-19. Em ambos os casos, os resultados apontaram para um padrão semelhante.

Nos testes em animais, aqueles que sofreram infecções pulmonares graves tiveram maior probabilidade de desenvolver câncer de pulmão posteriormente e também apresentaram maior mortalidade associada à doença.

Entre humanos, os pesquisadores observaram que pacientes que precisaram ser hospitalizados por Covid-19 tiveram um aumento de cerca de 24% na incidência de câncer de pulmão em comparação com pessoas que não passaram por infecções graves.

Esse aumento no risco apareceu independentemente de fatores como tabagismo ou outras condições médicas.

Segundo os cientistas, a explicação pode estar nas mudanças que a infecção provoca em células imunológicas como neutrófilos e macrófagos, que normalmente ajudam a defender os pulmões. Após infecções severas, algumas dessas células passam a contribuir para um estado inflamatório prolongado que pode favorecer o crescimento de tumores.

Vacinação pode reduzir o risco

A pesquisa também trouxe um dado encorajador. A vacinação contra vírus respiratórios, como Covid-19 e influenza, parece impedir muitas das alterações pulmonares associadas ao aumento do risco de câncer.

Isso acontece porque as vacinas ajudam o sistema imunológico a reagir mais rapidamente à infecção, reduzindo a gravidade da doença e, consequentemente, os danos duradouros ao tecido pulmonar.

Os cientistas destacam que o aumento do risco foi observado principalmente em casos graves que exigiram hospitalização. Pessoas que tiveram apenas infecções leves não apresentaram esse padrão e, em alguns casos, até mostraram uma leve redução na incidência de câncer de pulmão.

Diante disso, os pesquisadores sugerem que pacientes que passaram por infecções respiratórias severas, especialmente aqueles com histórico de tabagismo, possam se beneficiar de monitoramento mais frequente, como exames de imagem para detectar possíveis tumores precocemente.

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