Qual o motivo de tanto vento? A ciência revela por que o ar no Brasil ficou tão agressivo

Encontro entre massas de ar quente e frio pode acelerar a formação de ciclones e provocar rajadas intensas, chuva e quedas bruscas de temperatura

Ventos
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Natália P. Martins

Redatora

A combinação entre massas de ar com temperaturas muito diferentes pode acelerar a formação de ciclones e fazer a atmosfera ganhar força em poucas horas. Em alguns casos, a queda rápida da pressão transforma o sistema em um chamado ciclone-bomba, capaz de provocar rajadas intensas, chuva e mudanças bruscas de temperatura.

Encontro entre massas de ar coloca o vento em movimento

Para descobrir como se formam as rajadas de vento, é preciso entender o que acontece quando uma massa de ar frio encontra outra muito mais quente. Essa diferença de temperatura é um dos principais fatores para a formação e para o fortalecimento dos ciclones extratropicais que atingem o Brasil.

O ar frio é mais pesado e tende a avançar por baixo do ar quente. Quando isso acontece, o ar quente é empurrado para cima. 

Quanto maior a diferença de temperatura entre as duas massas, mais intenso pode ser esse movimento e maior a quantidade de energia envolvida no sistema.

Com  a movimentação de massas de ar, a atmosfera tenta equilibrar as diferenças de pressão que surgem durante o processo, e o ar passa a se deslocar com maior velocidade.

Diferença de temperatura alimenta os ciclones

Os ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão atmosférica. Eles costumam se formar em regiões onde massas de ar com características diferentes entram em contato.

No caso dos sistemas que influenciam o Brasil, a formação ocorre naturalmente na região sul, onde o encontro entre massas de ar frio e quente pode ser bastante intenso.

Quando o ciclone se fortalece, a pressão atmosférica diminui em seu centro e a circulação dos ventos aumenta ao redor do sistema. 

É por isso que a passagem de um ciclone pode provocar rajadas muito mais fortes do que aquelas observadas em uma mudança comum de tempo.

Ar quente sobe e pode criar tempestades intensas 

Nas movimentação atmosféricas, o ar quente é menos denso do que o ar frio. Quando uma massa de ar frio avança, ela funciona como uma espécie de "cunha", passando por baixo do ar quente e obrigando essa massa a subir.

Ao subir, o ar quente se resfria. O vapor de água presente nele começa então a se condensar, formando nuvens.

Se as condições forem favoráveis, essas nuvens podem crescer e dar origem a chuvas intensas, tempestades, granizo e descargas elétricas.

Por isso, uma mesma mudança atmosférica pode trazer vários efeitos ao mesmo tempo: vento forte, chuva e, depois da passagem da frente fria, uma queda significativa nas temperaturas.

Ciclone-bomba é uma intensificação rápida da pressão

Apesar do nome, o Ciclone-bomba não tem qualquer relação com explosões. A expressão é usada para descrever um ciclone que se intensifica de maneira extremamente rápida. O principal critério é a velocidade com que a pressão atmosférica cai no centro do sistema.

A queda rápida da pressão faz a circulação atmosférica ganhar força e pode resultar em ventos muito intensos. 

O contraste entre as massas de ar é um dos fatores que alimentam esse processo. Quanto maior a diferença de temperatura entre elas, mais favoráveis podem ser as condições para uma intensificação rápida.

Por isso, todo ciclone-bomba é um ciclone extratropical, mas nem todo ciclone extratropical se transforma em ciclone-bomba.

Região Sul costuma receber os primeiros impactos

Os ciclones extratropicais que influenciam o Brasil costumam se formar ao sul do continente.  Devido à proximidade geográfica com as áreas de desenvolvimento desses sistemas, a Região Sul costuma ser a primeira a registrar os impactos desses ventos e tempestades.

Depois, conforme o ciclone se desloca, a frente fria associada pode avançar pelo território brasileiro. Por isso, os efeitos também acabam sendo sentidos no Sudeste e no Centro-Oeste e, em alguns episódios, até em partes da Amazônia.


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