A China se deparou com um problema com a energia renovável: ela pode causar apagões; para resolver isso, eles criaram uma bateria de reserva monstruosa

A China lança um sistema híbrido de 1 GWh para estabilizar a rede elétrica em tempo real

A China se deparou com um problema com a energia renovável: ela pode causar apagões. Para resolver isso, eles criaram uma bateria de reserva monstruosa.
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Fabrício Mainenti

Redator

Quando uma grande usina solar perde produção em segundos ou o vento diminui repentinamente, a rede elétrica precisa reagir quase instantaneamente para manter a estabilidade. Esse equilíbrio entre geração e consumo é um dos principais gargalos para sistemas elétricos que dependem de energia renovável. Mas a China acaba de testar uma solução em escala real.

Isso foi feito conectando à rede uma bateria gigante que funciona de forma diferente das outras: um sistema de 500 MW e 1 GWh de capacidade que combina baterias de lítio com supercapacitores capazes de responder em milissegundos. Enquanto as primeiras armazenam energia por horas, os últimos atuam como um buffer imediato. O resultado é uma rede mais estável e limpa, menos dependente do carvão.

Uma bateria que pensa rápido e dura horas

O projeto se chama ‘Jiayuguan NingSheng’ e está localizado em Jiayuguan, no coração do corredor energético noroeste do país, uma área com alta concentração de parques solares e eólicos. Alimentado pela China National Nuclear Corporation (CNNC), este projeto opera como uma instalação autônoma de armazenamento de energia, projetada para dar suporte direto à rede elétrica em um ambiente onde a produção de energia renovável flutua rapidamente ao longo do dia.

É a primeira vez que uma instalação híbrida com supercapacitores atinge essa escala de potência e capacidade, e a chave para esse sucesso reside na combinação de tecnologias. Por um lado, utiliza baterias de lítio LFP capazes de armazenar grandes quantidades de energia por horas, ideais para transferir a geração de energia solar ou eólica para os horários de pico de demanda.

Por outro lado, utiliza supercapacitores de 25 MW que se destacam mais pela velocidade do que pela capacidade, respondendo em milissegundos quando a rede sofre uma queda de frequência ou um pico repentino de consumo.

Como a CNNC explica na documentação do projeto, essa arquitetura "permite atender simultaneamente às necessidades de energia e de potência imediata", o que é crucial em redes com alta penetração de energia renovável. Na prática, isso significa evitar microinterrupções, estabilizar a frequência e reduzir o uso de usinas termelétricas como reserva.

O sistema está conectado à rede elétrica por meio de uma linha de 330 kV e opera em condições extremas, de - 40 °C a 60 °C, com refrigeração líquida e proteção contra a poeira do Deserto de Gobi. As baterias são fornecidas pela Sermatec e os supercapacitores pela Herong New Energy, com um design especificamente adaptado para esse ambiente.

Na prática, esse sistema permite que a rede elétrica processe mais energia solar e eólica sem interrupções, reduz a dependência do carvão para suprir necessidades imprevistas e evitará a emissão de aproximadamente 200 mil toneladas de CO₂ por ano, segundo dados oficiais.

Além disso, não se trata apenas de uma infraestrutura de reserva: também gera receita ao fornecer serviços que mantêm o equilíbrio da rede quando a demanda ou a geração sofrem flutuações repentinas.

Imagens | @pv_magazine_global


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