Mentir por 10 anos sobre as capacidades de seus carros elétricos é um grande erro... Elon Musk aprendeu isso da maneira mais difícil

,0

Imagem | Tesla (YouTube)
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
pedro-mota

PH Mota

Redator
pedro-mota

PH Mota

Redator

Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

882 publicaciones de PH Mota

Um juiz federal em São Francisco autorizou uma ação coletiva movida por proprietários de Teslas que acreditam ter sido enganados pelas declarações de seu CEO. Eles acusam Elon Musk e sua empresa de exagerar nas capacidades de direção autônoma desde 2016. Esta decisão judicial se soma a outros casos recentes que enfraquecem o discurso da Tesla sobre seu software "Full Self-Driving" (FSD).

No início de agosto, um júri federal em Miami considerou a Tesla parcialmente responsável por um acidente fatal ocorrido em 2019, com o sistema Autopilot ativado. A indenização foi pesada: US$ 243 milhões em danos. Na Califórnia, o Departamento de Veículos Motorizados (DMV) também acusa a empresa de enganar os consumidores.

Em geral, esses processos evidenciam um paradoxo. Desde 2016, Elon Musk afirmava que todos os veículos Tesla produzidos já possuíam o hardware necessário para atingir o "nível 5" de autonomia, ou seja, a condução autônoma em todas as condições. No entanto, a realidade técnica ainda coloca o FSD no nível 2, uma assistência que exige a vigilância constante do motorista.

Credibilidade corroída diante dos concorrentes

Esses reveses legais ocorrem em um momento delicado para a Tesla. As vendas globais de seus veículos elétricos caíram 13% no primeiro semestre de 2025. E, no campo da condução autônoma, a empresa já não ocupa mais a posição de vanguarda que Elon Musk reivindicava. A Alphabet, por meio de sua subsidiária Waymo, já opera serviços de robotáxis em várias das principais cidades americanas. Seus veículos circulam sem motorista de segurança e transportam passageiros diariamente. "Existem robotáxis de verdade nas estradas, mas nenhum é um Tesla", afirma Bryant Walker Smith, pesquisador especializado em veículos autônomos.

Por outro lado, o programa piloto lançado pela Tesla em Austin ainda depende da presença de um técnico a bordo e até mesmo de operadores remotos para intervir em caso de problemas. Incidentes, como uma quase colisão com um trem, demonstram os limites de um sistema que a empresa continua a descrever como "Full Self-Driving" (direção totalmente autônoma). Essas discrepâncias recorrentes entre anúncios e resultados agora alimentam a desconfiança. Enquanto o bilionário prometia um milhão de robotáxis nas ruas até 2020, o mercado de usados registrou uma desvalorização acentuada da Tesla: -5,3% em julho, segundo a iSeeCars, a maior queda na categoria.

Inicio