Novo fenômeno está dominando o LinkedIn: anúncios de trabalho remoto que, na verdade, exigem que você vá ao escritório quatro dias por semana

Tudo isso surge de retorno forçado ao escritório, geralmente justificado por argumentos como a promoção da "cultura da empresa"

Imagem | Marcos Merino com IA
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Cada vez mais, profissionais compartilham histórias em redes sociais e fóruns onde ofertas que prometem "trabalho de qualquer lugar" acabam escondendo dias obrigatórios no escritório. Um usuário do Reddit relatou:

"Recebi uma oferta de emprego para uma vaga anunciada como 'Trabalho remoto de qualquer lugar!'" no LinkedIn. Fiquei super animada, pois estava procurando um emprego remoto há meses. Recebi a carta de oferta:
"Local de trabalho: remoto, com presença obrigatória no escritório para reuniões de equipe, treinamentos e dias de colaboração."
Perguntei quantos dias por semana significavam "Dias de Colaboração", já que o anúncio dizia que era totalmente remoto. Eles responderam: "Normalmente, de 3 a 4 dias por semana no escritório." "Você não queria essa vaga?"

Tendência

A Teal é uma plataforma que ajuda profissionais a gerenciar sua busca por emprego e carreira de forma mais eficiente. Em uma análise recente de 129.340 vagas de emprego rotuladas como "remotas", descobriu que 49,6% não são realmente remotas: quase metade inclui requisitos presenciais, como comparecimento ao escritório, restrições geográficas ou viagens obrigatórias. Seu relatório destaca a contradição entre o que os filtros de vagas prometem e as condições reais.

Tudo isso, num contexto mais amplo, reflete um retorno forçado ao escritório que muitas empresas ainda impõem em 2025, quando há poucos anos falavam sobre o trabalho remoto como algo permanente. A "era de ouro" do trabalho remoto começou a declinar após a pandemia em 2023 e continua em declínio dois anos depois.

Motivos para a mudança

A razão mais convincente por trás desses "dias de colaboração presencial" geralmente é a defesa da "cultura da empresa" (quando ir ao escritório, em muitos casos, significa trabalhar em cubículos) ou "melhorar" o ambiente de trabalho. tomada de decisões presencial." Há também argumentos como "novos funcionários são mais produtivos se estiverem no escritório" ou que "a distância dificulta a inovação".

Mas para aqueles que trabalhavam remotamente e acreditavam na promessa de flexibilidade, a mudança representa um retrocesso que vai além do escritório: envolve mudança, deslocamento, ruptura do equilíbrio entre vida pessoal e profissional e clara decepção.

No Reddit, outros compartilham casos semelhantes:

"Aceitei um emprego 'híbrido' há 60 dias... a vaga era anunciada como remota e o recrutador da agência que me contatou disse que era remota!! ... Em 15 de maio, a nova empresa quer que voltemos ao escritório em tempo integral para 'trabalho em equipe e colaboração'."
"Esta manhã recebi uma chamada de vídeo surpresa do meu gerente, dizendo que toda a nossa equipe precisa voltar a trabalhar no escritório em tempo integral." Isso apesar de eu ter sido contratado inicialmente sob a premissa de que este trabalho seria remoto."
Ele perguntou se eu tinha algum problema com essa mudança, então eu honestamente lhe disse que não tenho carro e que o escritório fica a cerca de 65 quilômetros da minha casa. Sua resposta foi: "Infelizmente, seu deslocamento pessoal não é responsabilidade da empresa."

Rejeitar a transição do home-office para algo bem diferente não é um capricho. Tem um custo real: econômico (combustível, transporte, horas de trabalho), emocional (sentimento de ter sido enganado, perda de autonomia) e profissional (aceitar condições diferentes das esperadas).

Um alerta

Essa tendência significa que qualquer pessoa que esteja procurando um emprego 100% remoto deve ficar muito atenta. Antes de aceitar uma oferta, é prudente perguntar diretamente quantos dias serão necessários no escritório, exigir que o contrato reflita o que foi prometido durante o processo de contratação e analisar cuidadosamente se a vaga corresponde à descrição anunciada.

Home-office (ou teletrabalho) é um termo que, cinco anos após a pandemia, continua muito atraente para objetivos profissionais e pessoais de muitas pessoas. Sabendo disso, muitas empresas usam esse rótulo como um chamariz inicial para atrair candidatos, mas depois impõem 3 a 4 dias de trabalho presencial ou pagam mais para quem prefere essa opção.

Essas práticas representam uma mudança de paradigma nas relações trabalhistas. Para quem busca flexibilidade genuína, entender as nuances da descrição da vaga, do contrato e das políticas da empresa pode ser tão importante quanto as tarefas que irão desempenhar.

Imagem | Marcos Merino com IA

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