Era para estar lá? Cientistas dos Estados Unidos descobrem uma estrutura gigante e única escondida no Triângulo das Bermudas

Descoberta geológica revela uma base rochosa de 20 km que sustenta as Bermudas desde o fim do vulcanismo

Triângulo das Bermudas. Créditos: ShutterStock
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Uma descoberta recente pode mudar tudo o que se sabe sobre a formação geológica do Triângulo das Bermudas e ajudar a explicar o mistério que envolve a região. Em um estudo publicado no fim de 2025 na revista Geophysical Research Letters, cientistas identificaram uma estrutura rochosa gigantesca escondida sob o arquipélago, no Atlântico Norte. Localizada abaixo da crosta oceânica, a estrutura tem cerca de 20 quilômetros de espessura, algo que nunca havia sido observado em nenhuma outra região do mundo. A análise ajuda a explicar por que as Bermudas continuam elevadas, mesmo após mais de 30 milhões de anos sem atividade vulcânica. A pesquisa foi conduzida por cientistas dos Estados Unidos a partir de dados sísmicos coletados na região.

Cientistas identificam estrutura geológica inédita sob  a crosta oceânica perto do Triângulo das Bermudas

Conhecida mais pela cultura popular do que pela ciência, as Bermudas são um arquipélago formado por dezenas de ilhas no Atlântico Norte, localizado dentro da área conhecida como Triângulo das Bermudas, uma região delimitada pela Flórida, Porto Rico e o próprio arquipélago. Ao longo de décadas, a região foi associada a desaparecimentos de navios e aviões, o que alimentou teorias sobrenaturais. No entanto, cientistas e até o governo dos Estados Unidos apontam que esses episódios podem ser explicados por fatores naturais, como correntes oceânicas intensas, tempestades frequentes, ondas extremas e o alto tráfego marítimo e aéreo

Para entender o que torna esse local tão singular, é preciso compreender um pouco sobre sua formação geológica. Em condições normais, a crosta oceânica é a camada mais externa do planeta sob os oceanos e, logo abaixo dela, começa o manto terrestre, formado por rochas mais quentes e densas. Nas Bermudas, no entanto, os pesquisadores encontraram algo inesperado: uma camada intermediária, menos densa do que as rochas ao redor, situada dentro da própria placa tectônica. Essa estrutura funciona como se fosse um suporte geológico, empurrando o fundo do oceano para cima e mantendo a ilha elevada em relação ao entorno.

Os dados foram obtidos a partir da análise de ondas sísmicas geradas por grandes terremotos ao redor do mundo, captadas por uma estação localizada nas Bermudas. Ao observar mudanças bruscas no comportamento dessas ondas, os cientistas conseguiram mapear o subsolo até cerca de 50 quilômetros de profundidade e identificar essa formação incomum.

Mesmo sem vulcões ativos há milhões de anos, as Bermudas continuam se sustentando — e agora sabemos por quê

Embora as Bermudas tenham origem vulcânica, a última erupção registrada na região ocorreu há cerca de 31 milhões de anos. Em cenários semelhantes, como em cadeias de ilhas formadas por pontos quentes, a elevação do fundo do oceano tende a diminuir com o tempo, à medida que a crosta se afasta da fonte de calor do manto. No caso das Bermudas, porém, isso não aconteceu.

A hipótese que surge após a descoberta dessa camada intermediária é que, durante a fase final do vulcanismo, o material do manto tenha sido injetado na crosta e solidificado ali, formando uma estrutura espessa e estável. Esse “remanescente” geológico continuaria sustentando a ilha até hoje, mesmo sem atividade vulcânica ativa. 

Em outras palavras, as Bermudas não permanecem elevadas por causa de vulcões ativos ou de forças misteriosas, mas por um efeito geológico herdado. A estrutura rochosa identificada sob a crosta funciona como uma base rígida, formada quando as atividades vulcânicas ainda estavam ativa e preservada ao longo de milhões de anos. Dessa forma, a estrutura impede que o fundo do oceano afunde com o tempo, contrariando o comportamento que é esperado para ilhas desse tipo. 


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