A Tesla decidiu reativar seu programa interno de chips de inteligência artificial apenas cinco meses após tê-lo interrompido. O CEO Elon Musk confirmou que os trabalhos no Dojo3, a terceira geração de seu supercomputador de treinamento, foram retomados com uma mudança drástica de foco: em vez de apenas treinar modelos para carros autônomos na Terra, a nova iteração será voltada para a "computação de IA baseada no espaço".
O projeto original havia sido cancelado após a saída de lideranças importantes e a migração de engenheiros para startups concorrentes. Na época, parecia que a Tesla passaria a depender exclusivamente de parceiros como Nvidia e Samsung. Contudo, Musk sinalizou que a empresa recuperou o ímpeto em sua rota tecnológica, impulsionada pelo desenvolvimento dos chips de quinta e sexta geração (AI5 e AI6).
A lógica da IA espacial
A proposta de levar o Dojo3 (ou AI7) para fora da atmosfera terrestre não é apenas uma excentricidade, mas uma tentativa de resolver gargalos físicos da computação moderna:
- Energia solar ininterrupta: no espaço, os centros de dados poderiam captar energia solar constante, sem as variações do ciclo dia/noite da Terra.
- Alívio térmico e geográfico: a mudança ajudaria a reduzir a enorme demanda energética e de resfriamento dos centros de dados terrestres, que enfrentam restrições crescentes.
- Sinergia com a SpaceX: Musk pretende utilizar o sistema Starship para lançar esses nós de computação, criando uma rede de processamento orbital que serviria de suporte para robôs e veículos autônomos.
Desafios técnicos em meio à disputa de mercado
Apesar do entusiasmo, os obstáculos são gigantescos. Operar hardware de alta densidade no vácuo do espaço exige soluções complexas para o gerenciamento de calor, além de proteção contra radiação e problemas de latência.
Para financiar esses experimentos, Musk planeja utilizar recursos de um possível IPO da SpaceX, que pode elevar o valor da empresa para US$ 1,5 trilhão.
O anúncio surge em um momento de pressão competitiva. Recentemente, a Nvidia revelou o Alpamayo, um modelo de IA que mimetiza o raciocínio humano em veículos autônomos, desafiando diretamente o software Full Self-Driving (FSD) da Tesla. Em resposta, a Tesla abriu um processo de contratação agressivo, convidando engenheiros a trabalharem no que Musk descreve como os chips de maior volume do mundo.
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