Quem sofre são os funcionários: corrida pela IA faz empresas de tecnologia congelarem salários 

Nem tudo são demissões por causa da IA; Teradata adia aumentos e TTEC pausa contribuição ao plano de aposentadoria

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Mesmo se você não perder o emprego pra IA, não significa que ficará livre de sofrer as consequências da sua implementação. Que o digam os funcionários da Teradata, que viram seus salários serem congelados este ano — não por causa de contas apertadas, mas porque a empresa decidiu que cada dólar disponível deve ir para a IA.

Segundo o Business Insider, o CEO da Teradata, Steve McMillan, enviou uma mensagem interna em janeiro deste ano aos 5.100 funcionários da empresa para comunicar que eles não deveriam esperar aumento salarial em 2026. O objetivo da Teradata para este ano era “vencer o mercado com IA”, o que exige aumentar o investimento em talentos e ferramentas de IA.

Segundo dois funcionários da empresa com mais de dez anos de experiência, normalmente eles recebiam um aumento anual entre 2% e 4%, mas este ano ficaram sem ele, embora ainda tenham conseguido receber bônus de desempenho e ações. Essa medida afeta países onde a regulação não obriga ajustes salariais vinculados ao mercado.

A Teradata não é a única empresa que preferiu investir em IA em vez de pessoal. A consultoria TTEC também decidiu pausar sua contribuição ao plano de aposentadoria 401(k), pois vai focar em certificações, ferramentas e automação de IA.

Uma escolha, não uma inevitabilidade

Em declarações ao Business Insider, a especialista em trabalho Jennifer Moss afirma que cortar no bolso dos funcionários não é a única saída. É verdade que tanto a Teradata quanto a TTEC registraram quedas de receita (de 5% e 3,2%, respectivamente), mas existem opções como recorrer a financiamento externo para bancar o investimento em IA, cortar gastos não essenciais e ajustar a remuneração da alta administração. Ela também menciona alternativas como escalonar os investimentos em IA ao longo do tempo, recorrer a aquisições estratégicas e aceitar margens menores por um período limitado, em vez de transferir todo o custo da transformação para os salários.

A lógica dos aumentos salariais foi abalada com a chegada da IA. Antes, os reajustes eram concedidos com base em critérios como experiência, tempo de empresa e cargo. No entanto, no setor de tecnologia, esse padrão mudou e, em 2026, muitas empresas congelaram salários. Embora a IA não seja a responsável direta no caso da Teradata, ela contribuiu para criar uma elite de profissionais muito bem pagos e ampliou a desigualdade: agora pesa mais a empresa onde você trabalha e o quanto a IA é central no negócio do que a simples progressão de júnior a sênior.

Normalmente, quando falamos do impacto da IA no mercado de trabalho, falamos de demissões. Em 2026, estima-se que 92 mil funcionários de tecnologia já tenham perdido seus empregos com a justificativa de compensar os investimentos em IA. No entanto, a realidade é que as demissões estão custando uma fortuna em indenizações e pacotes de saída. A Oracle, por exemplo, reservou US$ 2,1 bilhões para cobrir indenizações após demitir 30 mil funcionários.

Para evitar processos judiciais, gigantes como Microsoft e Google estão apostando em “demissões voluntárias” incentivadas, assumindo o enorme risco de que seus melhores talentos em IA peguem o dinheiro e migrem para a concorrência.

Imagem | Jakub Żerdzicki (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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