O plano oculto da Apple: como o novo Creator Studio pretende transformar seus apps gratuitos em serviços por assinatura

A Apple diz que nada muda — mas, nos bastidores, Pages, Numbers, Keynote e Freeform começam a trilhar o mesmo caminho de outros apps que viraram “gratuitos com asterisco”

Crédito de imagem: Xataka Brasil
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João Paes

Redator
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João Paes

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Escreve sobre tecnologia, games e cultura pop há mais de 10 anos, tendo se interessado por tudo isso desde que abriu o primeiro computador (há muito mais de 10 anos). 

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Por mais de uma década, a Apple usou seus apps de produtividade como argumento silencioso de valor: você comprava um iPhone, iPad ou Mac e levava junto ferramentas completas para trabalhar, estudar e criar, sem mensalidade. Isso está prestes a mudar — ainda que de forma sutil. Com o anúncio do Apple Creator Studio, a empresa deixou claro que Pages, Numbers, Keynote e Freeform estão se tornando apps freemium.

Na prática, a Apple garante que o básico continua exatamente como hoje. Criar documentos, planilhas, apresentações e colaborar com outras pessoas seguirá gratuito, sem qualquer exigência de assinatura. A própria empresa faz questão de reforçar esse ponto no anúncio oficial, talvez já antecipando a reação negativa que a palavra “assinatura” costuma provocar.

A virada acontece no que a Apple chama de “recursos inteligentes” e “conteúdo premium”. Templates avançados, novos temas visuais e um Content Hub com imagens, gráficos e ilustrações de alta qualidade passam a ser exclusivos para assinantes do Creator Studio. É o mesmo modelo que a empresa já adotou em outras frentes: o app continua grátis, mas o que realmente acelera, embeleza ou diferencia o trabalho fica atrás de um paywall.

Esse movimento faz ainda mais sentido quando observado dentro do pacote maior. O Creator Studio foi pensado para vender Final Cut Pro, Logic Pro e Pixelmator Pro como um conjunto — e os apps de produtividade entram como um bônus estratégico. Eles aumentam a percepção de valor da assinatura e criam dependência do ecossistema, sem “quebrar” a promessa histórica de gratuidade total.

Claro, ninguém será forçado a assinar para continuar usando Pages, Numbers ou Keynote como sempre usou. A assinatura só passa a fazer sentido para quem se interessa pelo pacote criativo profissional — ou para quem começa a sentir falta desses novos recursos visuais e de IA. A Apple não está cobrando pelo que era grátis. Está cobrando pelo próximo passo.



Crédito de imagem: Xataka Brasil

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