Pensávamos que os fabricantes chineses de RAM viriam para aliviar o mercado, mas eles estão jogando o mesmo jogo que todos os outros

Já sabíamos que a crise da RAM não era apenas temporária e que fabricantes chineses eram vistos como salvação

Acontece que esses fabricantes estão na mesma situação que Samsung, SK Hynix e Micron

Imagem | Xataka
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Quando o mercado está dividido entre poucos, não se pode esperar preços acessíveis. O segmento de RAM é dominado por três fabricantes (Micron, SK Hynix e Samsung) e, com a maior parte da produção voltada para o mercado de IA, o segmento de consumo está sofrendo. Em um cenário de escassez de chips, as empresas chinesas de RAM pareciam a salvação.

A realidade, porém, parece ser um pouco diferente.

À caça na China

Gigantes como Asus, Lenovo e Apple vêm batendo às portas das empresas chinesas de RAM há algum tempo. Embora tradicionalmente as duas empresas sul-coreanas (Samsung e SK Hynix) e a americana Micron fornecessem memória RAM tanto para fabricantes quanto para montadoras, a atual escassez de componentes deixou essas empresas sem espaço no mercado, forçando-as a buscar alternativas na China.

A CXMT e a YMTC (sua contraparte no mercado de memória flash) são as duas principais empresas chinesas de RAM e, nos últimos anos, têm avançado na busca por chips para o consumidor final. Alguns acreditam que elas não são adequadas para produtos de ponta, mas quando a necessidade é extrema, as expectativas diminuem. É por isso que ambas se estabeleceram como um recurso valioso para aliviar a demanda do mercado, mas descobriu-se que seu objetivo não era resolver a crise global, e sim competir com as grandes empresas.

Poder de negociação

Com o aumento da demanda, tanto a YMTC quanto a CXMT começaram a vender seus produtos a preços mais altos. É um mercado autorregulado, onde todos estão no mesmo barco, e se conseguem vender seus produtos a um preço mais alto, não veem necessidade de fazê-lo a um preço mais baixo (especialmente quando vemos resultados financeiros estratosféricos nesta situação). Mas o mais curioso é que estão vendendo a preços mais altos... para seus próprios parceiros comerciais.

Segundo a Reuters, a CXMT vem aumentando os preços da memória RAM para a Huawei há meses. A Huawei compete com a Nvidia tanto no mercado local quanto global, exibindo seus equipamentos projetados especificamente para um período em que a inferência de IA parece ser o próximo passo para essa tecnologia, e, como aponta a Reuters, quando a Huawei pediu redução de preço, a CXMT não cedeu.

Na verdade, há indícios de uma disputa de poder em curso com consequências negativas para a Huawei, já que a CXMT vem ordenando que seus engenheiros deixem as salas limpas onde colaboravam com parceiros da gigante chinesa, como a SiCarrier. De fato, também foi noticiado recentemente que a Huawei começou a se movimentar para criar sua própria fábrica de DRAM.

Prevenir é melhor que remediar...

Esta é uma reviravolta interessante, visto que se presumia que os fabricantes chineses chegariam para aliviar a situação, competindo com descontos agressivos abaixo dos preços das três empresas que controlam o mercado graças ao crescimento impulsionado, em parte, por subsídios governamentais. Ao competir com preços abaixo do mercado, eles conseguiriam abocanhar uma fatia generosa do mercado de produtos de consumo, mas, no final das contas, o que importa é... dinheiro.

Sempre que se noticiava a abertura de uma nova fábrica ou a realização de novas pesquisas sobre chips NAND, já tínhamos observado que o produto não se destinava a aliviar a situação global no segmento de consumo, mas sim ao que é mais lucrativo para os fabricantes desses chips: o segmento de IA. Diante dos lucros recordes de empresas como a SK Hynix ou a Samsung, parecia ingênuo pensar que uma empresa entraria nesse setor para aliviar o peso dos produtos de consumo.

EUA sob escrutínio

Assim, a CXMT tornou-se a quarta maior fabricante de memória do mundo, incluindo memória para celulares e servidores de IA, o que lhe confere imenso poder de negociação — suficiente para frear a Huawei, que goza da plena confiança do governo para se tornar um dos motores tecnológicos do país. No entanto, existe um conflito de interesses, pois a Huawei interessa pelo seu hardware, mas a China também compete globalmente em IA, e a CXMT acaba de fechar dois contratos muito lucrativos nessa área.

Um acordo com a ByteDance, no valor de mais de US$ 7 bilhões, e outro com a Tencent, no valor de mais de US$ 3 bilhões, visam o fornecimento de chips DRAM para servidores de data centers voltados para inteligência artificial. Enquanto isso, os Estados Unidos enfrentam um novo problema, já que tanto a CXMT quanto a YMTC começaram a atrair sua atenção.

A YMTC está na Lista de Entidades dos EUA, e a Micron vê seus negócios ameaçados, pressionando o Congresso a impor controles mais rígidos sobre a CXMT. Curiosamente, a Apple defende o oposto, pois precisa desesperadamente de RAM e a CXMT parece ser a candidata ideal.

Preparando-se para o pior

De qualquer forma, qualquer movimento nessa direção por parte das gigantes da RAM terá como objetivo produzir mais chips para hiperescaladores. Atualmente, é um mercado gigantesco que não parece ter fim ou alívio à vista.

A Samsung teve um trimestre ainda melhor que a Nvidia, e a SK Hynix emitiu um alerta claro: o próximo ano será o pior da história da indústria de semicondutores. Tradução: compre agora o que você acha que vai precisar, porque não há indicação de que a situação vai melhorar em curto prazo. E quando melhorar, fabricantes como a Lenovo já estão sugerindo que os preços nunca mais voltarão aos níveis pré-crise.

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