O novo medo de Dario Amodei: a Anthropic estar atraindo funcionários interessados apenas no dinheiro

Salários elevados ajudam a contratar talentos, mas cada vez menos garantem lealdade

Dario Amodei
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A Anthropic nasceu com a ideia de desenvolver modelos de IA avançados e alinhados, sem abrir mão da segurança. Essa missão ajudou a diferenciá-la da OpenAI e também serviu para atrair pesquisadores talentosos. Agora, seu CEO, Dario Amodei, teme que alguns novos funcionários estejam chegando à empresa por um motivo muito mais convencional: o dinheiro.

Os especialistas em IA mais disputados podem escolher onde trabalhar e ter acesso a salários extraordinários, pacotes de ações, cargos de prestígio e enorme capacidade computacional para seus experimentos. O problema é que nenhuma dessas vantagens dura muito tempo. Uma empresa concorrente pode oferecer mais dinheiro, mais GPUs ou mais influência poucos meses depois. O que se observa no mercado é que alguns desses especialistas estão se tornando algo como mercenários com contratos temporários.

Nos últimos dias, Lillian Weng, cofundadora da startup Thinking Machines, anunciou que deixaria a empresa. Ela afirmou que o estresse do cargo estava afetando sua saúde e que buscava uma função com um foco mais definido. Dias depois, o site The Information informou que ela retornaria à OpenAI. Weng é a quarta cofundadora a deixar a Thinking Machines em um ano. Nem mesmo fundar uma empresa garante que alguém permaneça nela.

O Google também não consegue reter seus talentos. A empresa perdeu, em junho, dois de seus pesquisadores mais destacados. Noam Shazeer foi para a OpenAI e John Jumper, vencedor do Prêmio Nobel de Química por seu trabalho com o AlphaFold, acabou sendo contratado pela Anthropic. Não importa que o Google tenha dinheiro de sobra, uma infraestrutura impressionante e alguns dos projetos científicos mais importantes da indústria. Nem isso é suficiente para impedir que alguns de seus especialistas acabem sendo atraídos pelas propostas tentadoras das empresas concorrentes.

A Meta foi a que mais gastou. A empresa de Mark Zuckerberg desembolsou uma verdadeira fortuna para recrutar pesquisadores e especialistas em IA com o objetivo de criar sua nova divisão de superinteligência, liderada por Alexandr Wang. Algumas dessas contratações duraram pouco e terminaram com os profissionais deixando a empresa, em vários casos rumo à OpenAI, embora também tenha ocorrido o movimento inverso.

Anthropic

Dario Amodei teme que o dinheiro corrompa tudo

Fontes próximas à Anthropic afirmaram que Dario Amodei, CEO da empresa, demonstrou preocupação com a possibilidade de que novos talentos da IA estejam chegando à companhia atraídos apenas pelo dinheiro, e não por sua missão.

Reduzir toda essa movimentação a uma questão financeira seria simplificar demais a situação. Segundo o site Axios, diversas fontes indicam que ter acesso a capacidade computacional praticamente ilimitada, autonomia para tomar decisões e influência real sobre o desenvolvimento de produtos continua sendo algo muito valorizado. Também existem diferenças ideológicas sobre como a IA deve ser desenvolvida: o dinheiro é apenas um requisito inicial, pois a possibilidade de influenciar os rumos da indústria é o que costuma ajudar a concretizar essas contratações.

As empresas de IA não param de disputar especialistas entre si e, embora esses salários e benefícios possam garantir meses ou até anos do trabalho de um pesquisador de IA, o que não se pode comprar é a certeza de que ele permanecerá na empresa indefinidamente. A lealdade se tornou um luxo. 

Imagem | Wikimedia, Alexander Grey (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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