Humanos são mais parecidos com IA do que  se imaginava: processamento do nosso cérebro possui semelhanças com modelos generativos

Convergência entre biologia e tecnologia desafia visões antigas da linguística

Cérebru humano e IA
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
vika-rosa

Vika Rosa

Redatora
vika-rosa

Vika Rosa

Redatora

Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


189 publicaciones de Vika Rosa

Durante décadas, acreditamos que a linguagem humana era processada através de regras gramaticais rígidas e símbolos fixos. No entanto, uma descoberta fascinante da Universidade Hebraica de Jerusalém, publicada na Nature Communications em janeiro de 2026, revela que o nosso cérebro compreende a fala de forma muito mais próxima ao funcionamento de modelos como o GPT do que se supunha.

Ao monitorar a atividade cerebral de voluntários enquanto ouviam um podcast de 30 minutos, os cientistas notaram que o cérebro constrói significado passo a passo, em camadas, exatamente como os grandes modelos de linguagem (LLMs). Essa semelhança inesperada sugere que a compreensão humana emerge de um processo estatístico e contextual, e não apenas de blocos lógicos isolados.

O significado em camadas: do som ao conceito

A pesquisa utilizou eletrocorticografia para rastrear o tempo e a localização exata da atividade neural. Os resultados mostraram que o cérebro segue uma sequência estruturada que espelha o design de sistemas como o Llama 2 ou o GPT-2.

As primeiras respostas neurais coincidem com as camadas iniciais da IA, que processam características básicas e superficiais das palavras.

À medida que a fala avança, a atividade se desloca para áreas de nível superior, como a área de Broca. Nesses locais, as respostas cerebrais alinham-se com as camadas profundas da IA, onde o tom, o contexto e o significado mais amplo são finalmente sintetizados.

Curiosamente, elementos clássicos como fonemas e morfemas não explicaram a atividade cerebral tão bem quanto as representações fluidas produzidas pela inteligência artificial.

Uma nova fronteira para a neurociência

Essa convergência entre biologia e tecnologia desafia visões antigas da linguística. Segundo o Dr. Ariel Goldstein, líder do estudo, o fato de sistemas construídos de formas tão diferentes (neurônios vs. silício) convergirem para o mesmo método de construção de significado é uma das maiores surpresas da pesquisa.

Para acelerar novos estudos, a equipe disponibilizou publicamente o conjunto completo de gravações neurais. Esse recurso permitirá que pesquisadores de todo o mundo desenvolvam modelos computacionais que reflitam com mais fidelidade a mente humana. 

No fim das contas, a inteligência artificial não está apenas gerando textos; ela está servindo como um espelho tecnológico que nos ajuda a decifrar os mistérios mais profundos do nossos próprios pensamentos e de como os construímos.

Inicio