Tendências do dia

Defesa planetária sem segredos: NASA explica como uma rede científica aberta protege a Terra de asteroides

Terra
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
vika-rosa

Vika Rosa

Redatora
vika-rosa

Vika Rosa

Redatora

Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

500 publicaciones de Vika Rosa

Asteroides passam relativamente perto da Terra todos os dias, mas isso não significa que representem um risco imediato. Na realidade, existe uma enorme rede internacional de observatórios, telescópios e cientistas trabalhando continuamente para identificar esses objetos, calcular suas trajetórias e determinar se algum deles pode oferecer perigo ao planeta.

Segundo um texto recente da NASA, um dos pilares desse sistema é justamente o compartilhamento aberto de dados científicos. Informações coletadas por observatórios do mundo inteiro ficam disponíveis para pesquisadores, permitindo que diferentes equipes analisem os mesmos objetos e confirmem os cálculos de forma independente.

Como os asteroides são monitorados

O trabalho começa muito antes de qualquer manchete sobre um possível impacto.

Sempre que um novo asteroide é detectado, suas observações são enviadas ao Minor Planet Center, instituição responsável por reunir informações sobre pequenos corpos do Sistema Solar. Em seguida, esses dados são distribuídos para toda a comunidade científica.

Se o objeto for classificado como um NEO (Near-Earth Object), ou Objeto Próximo da Terra, pesquisadores do mundo inteiro são incentivados a acompanhar sua trajetória e enviar novas observações.

Quanto maior a quantidade de dados disponíveis, mais precisa se torna a previsão da órbita do asteroide.

O caso do asteroide 2024 YR4

Esse processo ficou evidente com o asteroide 2024 YR4.

Em fevereiro de 2025, análises indicaram que ele poderia atingir a Terra em dezembro de 2032. Em determinado momento, a probabilidade de impacto ultrapassou 3%, a maior já registrada para um objeto desse porte.

No entanto, conforme novos telescópios enviaram observações adicionais, os cálculos foram refinados e a trajetória do asteroide foi sendo ajustada. Poucos dias depois, a chance de colisão caiu para menos de 1%, descartando qualquer ameaça ao planeta.

Segundo a NASA, esse episódio mostrou justamente por que o compartilhamento global de dados é tão importante: quanto mais observações existem, menor é a margem de erro.

Uma rede global de defesa

A coordenação desse trabalho é feita pelo Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da NASA.

O órgão trabalha em conjunto com centros especializados, como o Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra (CNEOS), além da Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN), formada por observatórios e instituições científicas espalhadas pelo mundo.

Hoje, mais de 41 mil objetos próximos da Terra já foram catalogados. Embora alguns possuam centenas de metros de diâmetro, a agência afirma que atualmente não existe nenhuma ameaça significativa conhecida para os próximos cem anos.

A humanidade já sabe desviar um asteroide

Além de monitorar o céu, a NASA também testa formas de responder caso uma ameaça real seja identificada.

Em 2022, a missão DART fez história ao colidir deliberadamente contra o asteroide Dimorphos. O impacto conseguiu alterar sua órbita em cerca de 33 minutos, demonstrando pela primeira vez que a humanidade possui uma tecnologia capaz de modificar a trajetória de um corpo celeste.

O próximo passo será ampliar ainda mais a capacidade de detecção. A agência prepara o lançamento do telescópio espacial NEO Surveyor, previsto para 2027, que será o primeiro observatório desenvolvido especificamente para localizar asteroides potencialmente perigosos escondidos pelo brilho do Sol.

Inicio