É difícil imaginar que algo tão impressionante quanto a internet pudesse, há pouco mais de 40 anos, ser resumido em uma única folha. O mapa do embrião da internet, a ARPANET, não ocupava mais do que uma folha sulfite A4 e mostrava os menos de 50 computadores que, nesse início da internet, estavam conectados entre si.
Ainda mais curiosa é a história de como a ARPANET nasceu, e que talvez não seja como te contaram. Tudo aconteceu quase à meia-noite de 29 de outubro de 1969 em uma pequena sala da Universidade da Califórnia (UCLA) com uma mensagem que dizia apenas “lo”.
A verdadeira origem
Pesquise na internet sobre a história da ARPANET (a da própria internet) e você verá que o mais comum é se falar em uma origem militar. Tecnicamente, isso está correto, já que a ARPANET foi desenvolvida pela ARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada), uma instituição que dependia do Departamento de Defesa dos EUA.
Mas os motivos não foram militares, apesar de uma das mentes por trás de algumas das ideias que ajudaram a criar a ARPANET, Paul Baran, trabalhar justamente com a motivação de evitar que a Guerra Fria entre os EUA e a URSS resultasse em um bloqueio e na destruição das comunicações e das estruturas de controle do exército dos EUA em caso de um ataque nuclear.
De fato, você encontrará muitas referências a essa ideia, o que acaba gerando uma história digna de um filme hollywoodiano, mas, na realidade, não foi exatamente com essa motivação que a ARPANET nasceu.
Nos anos 1960, dentro da ARPA, existia o Information Processing Techniques Office (IPTO), que, na época, estava focado em extrair o máximo dos computadores dentro da administração. Robert Taylor, um dos pais da internet, assumiu a direção do IPTO em 1966 e apresentou ao então diretor da ARPA a possibilidade de conectar os computadores entre si para otimizar seu uso.
Com essa estrutura de computadores em rede —ideia que ele aproveitou de trabalhos anteriores de J. C. R. Licklider, pioneiro em 1962 ao propor a interconexão de equipamentos—, a ARPA poderia gerenciar melhor seu orçamento de computadores, concentrando esforços em poucos, porém muito potentes, sistemas conectados entre si, que permitiriam compartilhar recursos e resultados entre pesquisadores e centros.
“lo”, a primeira mensagem entre computadores em rede
Taylor não se limitou à ideia de compartilhar computadores e resultados entre centros como vantagem da ARPANET. Se o conceito funcionasse, a agência garantiria a possibilidade de recorrer a diferentes modelos de computadores, de tipos variados, sem que a compatibilidade ou o uso de terminais para acessá-los se tornasse um pesadelo. Ao mesmo tempo, isso permitiria criar uma proteção contra falhas, já que, com a estrutura de rede descentralizada proposta, se um computador falhasse, os demais poderiam continuar trabalhando.
A proposta inicial de Taylor consistia em uma rede de testes com quatro nós, que poderiam ser ampliados se os resultados fossem positivos. Assim nasceu a ARPANET. A internet estava a caminho.
Se você estiver de passagem pela Califórnia, uma visita recomendável é a sala 3420 do Boelter Hall, na Universidade (UCLA). Não a procure exatamente como era antes, pois, após um período de esquecimento e até de uso como sala comum, ela foi restaurada recentemente e passou a fazer parte do Kleinrock Center for Internet Studies (KCIS).
Ali se concentra grande parte da história, documentos (a apresentação original da ARPANET é imperdível) e os equipamentos que permitiram estabelecer o primeiro nó entre computadores. Mas, na verdade, trata-se de uma homenagem fantástica a Leonard Kleinrock, professor que, em 1969, justamente daquela pequena sala da universidade, enviou a primeira mensagem na ARPANET.
Eram 22h30 do dia 29 de outubro de 1969 quando, a partir do computador SDS Sigma 7 dessa sala, o professor Kleinrock enviou a mensagem LOGIN para o equipamento SDS 940 do Instituto de Pesquisa de Stanford, com o qual estava conectado de forma básica.
A mensagem acabou ficando no curioso “lo”, pois houve uma falha e só uma hora depois foi possível completar a transmissão inicial. Assim ocorreu a primeira conexão entre os dois primeiros computadores da ARPANET. Duas semanas depois, já eram quatro os equipamentos interconectados e, em dois anos, quase setenta. E, então, ninguém mais conseguiu parar essa revolução.
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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