A internet descentralizada é um mito: um terço dos centros de dados globais está em um único país

Há mais de 11.000 centros de dados em todo o mundo, sobretudo no hemisfério norte

Centros de dados no mundo / Imagem: ChatGPT, com dados do Data Center Map
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1519 publicaciones de Victor Bianchin

Atualmente, há mais de 11.000 centros de dados em funcionamento em todo o mundo — o que não é pouca coisa. Diante do enorme investimento das empresas de tecnologia, esse número vai crescer exponencialmente nos próximos anos. Agora, graças ao mapa interativo do Data Center Map, sabemos onde eles estão. Uma esmagadora maioria se encontra no Hemisfério Norte, com um país que concentra quase um terço do total.

Para surpresa de ninguém, o país com o maior número de centros de dados é os EUA. Considerando que as principais empresas de infraestrutura de nuvem são estadunidenses, isso também não é de se estranhar.

EUA EUA

No total, eles contam com 4.303 centros de dados espalhados por todo o território, mas não de forma uniforme: há regiões em que a concentração é brutal. Só no estado da Virgínia há nada menos que 668 centros de dados — mais do que a Alemanha, o segundo país da lista, com 494 centros.

O clima ajuda

Já sabemos que os centros de dados consomem muita energia, e grande parte dela vai para resfriar seus componentes. Quanto mais calor faz do lado de fora, mais custa resfriá-los e, portanto, mais energia é consumida, além de água.

Segundo a Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar-Condicionado, a temperatura ideal para um centro de dados fica entre 18 e 27 graus Celsius. A localização tem um impacto significativo nos gastos com eletricidade e água, por isso as empresas de tecnologia costumam escolher lugares com temperaturas mais baixas para montar sua infraestrutura.

O Sul também quer sua fatia do bolo

Indonésia Indonésia

Chama a atenção que, apesar da recomendação de temperatura, há muitos centros de dados em países onde o calor é um problema. O site Rest of World fez uma análise extensa sobre esse fenômeno e calcula que pelo menos 600 instalações estão operando em áreas fora da faixa ideal.

De fato, seguindo a lista de países com maior número de centros de dados, vemos que a Indonésia está em terceiro lugar, com 184 instalações, seguida pelo Brasil, com 196. Ambos têm uma temperatura média de mais de 26 graus, o que significa que, durante boa parte do ano, os índices superam esse número.

Singapura Singapura

Um caso chamativo é o de Singapura, onde a temperatura média passa dos 28 graus. O país conta com 78 centros de dados — um número baixo em comparação com os que mencionamos, mas que estão concentrados em uma área muito pequena, o que o torna um dos países com maior densidade de centros de dados.

Outros países em que a demanda por centros de dados está aumentando são Índia, Vietnã e Filipinas, todos com climas bastante quentes.

O desafio do calor

Por que construir em regiões tão quentes? Para muitos países, é mais importante que os dados estejam dentro de suas próprias fronteiras do que estejam em temperatura ideal de funcionamento. O risco é que, com as temperaturas aumentando ano após ano, o que hoje é uma situação administrável possa se tornar um problema de difícil solução, especialmente em regiões como o Sudeste Asiático e o Oriente Médio.

O Rest of World conta que, justamente em Singapura, há uma iniciativa que envolve mais de 20 empresas de tecnologia e universidades com um objetivo: desenvolver um sistema de refrigeração específico para climas quentes e úmidos.

O sistema de refrigeração mais comum é o de ar, mas, nessas regiões, o mais eficaz é usar um sistema híbrido que utilize ar quando possível e água quando faz mais calor. Em algumas áreas com temperaturas extremas, como os Emirados Árabes, já se considera até construí-los no subsolo. Na China, estão testando uma solução ainda mais radical: construir um centro de dados sob o mar.

Imagem | ChatGPT, com dados do Data Center Map

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio