A Espanha está preparando um centro de dados projetado especificamente para abrigar inteligência artificial para fins bélicos; a surpresa: fica em Soria

O orçamento é substancial, mas não há detalhes claros sobre a capacidade computacional real que essas instalações terão

Imagem de capa | Ministerio de Defensa
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
fabricio-mainenti

Fabrício Mainenti

Redator

Há mais de dois mil anos, na colina de Numância, seus habitantes escolheram resistir até o fim em vez de se render ao cerco das legiões de Públio Cornélio Cipião Emiliano. Essa história de desafio contra um inimigo superior ficou gravada na memória de Sória como um símbolo de resistência.

Agora, a poucos quilômetros dali, no parque industrial de Valcorba, o Ministério da Defesa espanhol quer construir outro tipo de fortaleza: um centro de dados chamado Numant-AI, onde a defesa não será mais medida em muralhas ou espadas, mas em servidores, algoritmos e inteligência artificial.

Um projeto singular

Enquanto vivenciamos uma divisão entre tecnologia e forças armadas nos EUA, a Espanha acelera um projeto que combina justamente ambos os aspectos. O governo lançou o Numant-AI, um centro de dados com investimento significativo e inteiramente dedicado a fornecer poder computacional para inteligência artificial. Há, no entanto, dois pontos a serem observados.

O nome completo do projeto será Centro de Capacidades Tecnológicas Avançadas de Defesa (CESTIC), e seu investimento faz parte do Plano Anual de Aquisições do Ministério da Defesa para 2026 (PACDEF). Este plano abrange 7.868 propostas e 156 acordos-quadro, com um valor total de € 10,102 bilhões (cerca de R$ 60,7 bilhões).

Sória, uma nova capital tecnológica

O centro de dados anunciado pelo Governo em setembro passado, e cujos planos já haviam sido delineados meses antes, será localizado em Sória. O projeto utilizará um espaço cedido pela Prefeitura de Sória, abrangendo quase quatro hectares no parque industrial de Valcorba. O Tenente-General José María Millán, diretor do CESTIC, já havia indicado na época que o centro incorporaria "sistemas de inteligência artificial em benefício das Forças Armadas".

Aplicações militares

O investimento inicial de € 70 milhões (cerca de R$ 420,7 milhões) foi aumentado para quase € 130 milhões (cerca de R$ 781,4 milhões), segundo o jornal El Heraldo de Sória, e será financiado pelo Ministério da Defesa. Seus recursos serão utilizados para aplicações que processam dados confidenciais na área de operações e logística, e aplicações militares serão parte integrante de sua missão.

Este projeto confirma outras iniciativas das Forças Armadas, como o desenvolvimento do Gonzalo, um "ChatGPT" para uso militar especificamente projetado para dar suporte seguro a esse tipo de tarefa.

Empregos e equipe

Aproximadamente 20 pessoas serão funcionários permanentes neste centro, que funcionará 24 horas por dia, 7 dias por semana, assim que estiver operacional. A construção do data center, segundo o Ministério da Defesa, gerará "um impacto econômico e de emprego significativo na cidade".

Sabemos quando, mas não sabemos o quê

O Ministério da Defesa indicou que o projeto tem um período de construção de 24 meses e, portanto, espera que esteja pronto, teoricamente, no início de 2028. O que não sabemos é que tipo de infraestrutura ele abrigará ou qual será a capacidade real do data center.

Serão alocados € 67,88 milhões (cerca de R$ 408 milhões) para sistemas de informação e servidores — não especificados, talvez por ainda não terem sido definidos —, enquanto a construção será financiada com € 58,68 milhões (cerca de R$ 352,7 milhões), e uma terceira verba de € 1,65 milhão (cerca de R$ 9,9 milhões) não tem finalidade específica.

Soberania e descentralização

A escolha de Soria como local para este centro de dados reflete a estratégia de descentralização das Forças Armadas. O orçamento da defesa demonstra isso com a distribuição desses fundos por toda a Espanha em diversos projetos que buscam evitar o risco de centralização excessiva de instalações críticas.

Essa medida também reflete outros desenvolvimentos que temos observado há meses, que demonstram claramente que a Espanha e a Europa estão trabalhando para encontrar soluções que permitam o maior grau possível de soberania digital.

Imagem de capa | Ministério da Defesa

Inicio